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sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Leitura em Dupla: Parte IV

Essa postagem faz parte do Leitura em Dupla, em parceira com o Leia-me Já!. Confira a parte I aquiparte II aqui e parte III aqui

Quarta seção de discussão de Tubarão de Peter Benchley. Capítulos 12 a 14.

Tópicos discutidos nesse post:
- O Confronto final
- Final geral
- Finais individuais: Brody e Ellen
- Finais individuais: Larry Vaughan
- Finais individuais: Matt Hooper e Quint
- Conclusão e considerações finais.

[O CORUJAL NÃO SE RESPONSABILIZA PELOS SPOILERS AQUI POSTADOS!]

O CONFRONTO FINAL

LEIA-ME JÁ!: Havíamos especulado sobre o final, você acreditando na possibilidade de Brody morrer e eu não. Não considerava essa hipótese por Brody ser o protagonista, e isso não seria muito comum. O que não consideramos foram as mortes tanto de Hooper quanto de Quint. Acreditávamos que apenas uma pessoa morreria na caçada, e no caso de Hooper, a traição de Ellen permaneceria no passado, e foi o que aconteceu. Creio que a morte de Quint, no entanto, serviu apenas para dramatizar um pouco a trama.
O CORUJAL: Realmente. Por mais que nossas apostas de quem sairia vivo daquela caçada, ambos concordávamos que apenas uma pessoa morreria, e não foi o que aconteceu.
LEIA-ME JÁ!: Gostei muito das cenas de ação da caçada, a todo momento me vinha a música do filme na cabeça. Só me incomodou o fato do tubarão sair muitas vezes da água, acho que isso não é um comportamento natural desse animal. Não pude deixar de lembrar do começo do livro, quando o autor descreve o ponto de vista tanto da vítima quanto do tubarão durante o ataque. Nesse último confronto, no entanto, vemos o ponto de vista apenas de Brody, e isso confirma nossa especulação de que o autor não está mais preocupado em contar a história a partir do tubarão, e sim da vida dessas pessoas.
O CORUJAL: Realmente não há ponto de vista do tubarão em nenhum momento. Um outro ponto que eu gostaria de ressaltar é que quando o Brody fica sabendo que o Hooper os acompanhará na caçada, ele fica tão preocupado com o cientista, que acaba esquecendo o tubarão. Somente quando ele finalmente fica cara à cara com o tubarão que ele começa a perceber o quão grave é aquela situação. Achei interessante essa transição, porque em nenhum momento do livro, Brody vê o tubarão como uma ameaça pra si, o tempo todo ele o considera apenas mais uma ameaça à população que ele precisa lidar. E quando finalmente ele vê o tubarão de perto, “cai a ficha” e ele percebe que ele também corre perigo.

Sua mente estava cheia de imagens de algo como um torpedo se elevando na escuridão do mar e estraçalhando o corpo de Christine Watkins em pedaços; do menino na boia sem saber, sem ao menos desconfiar, até de repente ser atacado por uma criatura de pesadelo; e de pesadelos que sabia que teria, sonhos de violência e sangue, e uma mulher gritando que ele tinha matado seu filho. (página 229)

LEIA-ME JÁ!: Sim, conseguimos perceber que ele só percebe o que o tubarão realmente representa quando se depara com ele. Há outro fator que me incomodou nesse último confronto, não sei se por intenção do autor ou pela perturbação das personagens, mas me pareceu que o tubarão possuía algum tipo de inteligência, como se soubesse o que tinha que ser feito. Não gostei disso porque me soou mais um terror sobrenatural, o que não é o caso. Durante a caçada as personagens retratam a cena como se o tubarão tivesse alguma estratégia para pegá-los, e isso tira o aspecto verossímil que o livro teve até esse ponto.

Brody lembrou-se daquele sorriso de soslaio a encará-lo de dentro d’água. Não sei. Disse. Ontem aquele peixe, com certeza, parecia mal, como se ele quisesse ser mal, como se soubesse o que estava fazendo.

O CORUJAL: Também reparei nesse ponto e não gostei. Me lembro de uma cena onde Quint está mirando de frente para o tubarão, pronto para atingi-lo, mas o peixe passa por debaixo do barco e ataque o outro lado, como se soubesse que estava correndo risco. No decorrer do livro todo eles dizem que o tubarão é um animal que age por extinto, que só responde à fome e que ataca tudo que vê pela frente, mas não foi isso que aconteceu. Mas há também a possibilidade de toda essa “inteligência animal”, seja proposital. Às vezes o autor quis retratar dessa forma para mostrar que é uma consequência da tensão das personagens.
LEIA-ME JÁ!: Eu quero acreditar que o autor fez isso para mostrar como aquelas pessoas estavam assustadas a ponto de imaginar coisas, e não que realmente aconteceu.

FINAL GERAL

LEIA-ME JÁ!: O que você achou do autor ter terminado o livro naquele ponto? Achei curioso a forma como o livro acaba, já que a cena inicial é uma mulher entrando na água, e a final é Brody saindo dela. No começo o leitor tem a impressão de que a mulher é o intruso, de que o mar é domínio do tubarão. Já no final, Brody retorna do confronto e sai da água, tive a impressão de que ele conquistou aquele território, já que matou seu antigo “dono”.
O CORUJAL: É o clássico final em aberto, né? Porque a gente não fica sabendo realmente como acabou. Acredito que a cidade prosperou e Ellen manteve seu segredo de adultério. Quanto a esse tipo de final, não tenho nenhum problema, pois acho que nenhum livro tem realmente um fim, nunca há uma conclusão absoluta, portanto, pra mim é indiferente. Isso que você disse sobre o domínio marinho, não havia me ocorrido, mas faz todo o sentido!
LEIA-ME JÁ!: Eu sei que muitas das ligações que acontecem em um livro, nem é proposital da parte dos autores, muitas vezes é coincidência, mas não custa nada tentarmos encaixar as coisas, e eu tenho uma teoria. O bom do final em aberto é que o leitor tem uma liberdade de pender as coisas para o lado que ele desejar, mas acho que o autor deixou algumas pistas sobre o que ele espera dessa interpretação.

FINAIS INDIVUDUAIS: BRODY E ELLEN

O CORUJAL: Por mais que eu tenha dito que não me surpreenderia se Brody morresse, o final desses dois foi bem previsível pra mim. Ellen não disse nada da traição e creio que eles ficaram juntos. Só não contava com a pronunciamento do Meadows, o jornalista, que publicou uma matéria dando votos heroicos ao nosso protagonista. Chega a ser cômico o fato de que o tubarão foi a solução para todos os problemas externos o enredo, pois mesmo com todas as mortes, sem o tubarão nenhum problema da cidade e da vida de Brody seria resolvido. Isso me leva a refletir que não podemos atingir o sucesso sem perdas pelo caminho.
LEIA-ME JÁ!: Sim, é como se o tubarão tivesse aparecido para ajustar as coisas, colocar os pingos nos “is”. É verdade que o final fica em aberto, mas como eu disse antes, eu percebi algumas dicas que o autor deixou no decorrer da história. No caso da traição, por exemplo, quando o prefeito visita a Ellen, fica claro que ela quer ficar com o Brody, que se arrependeu do que fez e que reconhece o relacionamento.

Enquanto pensava no que Vaughan tinha dito, começou a reconhecer a riqueza de sua vida: um relacionamento com Brody era mais gratificante que qualquer um que Larry Vaughan pudesse experimentar; um amálgama de testes menores com pequenos triunfos que juntos, resultavam em algo semelhante à felicidade. E à medida que seu reconhecimento crescia, crescia também um certo arrependimento por ter demorado tanto pra ver o desperdício de tempo e emoção na tentativa de se apegar ao passado. Subitamente teve medo – medo de ter amadurecido tarde demais, de que algo pudesse acontecer a Brody antes de ela poder aproveitar essa consciência. Olhou para o relógio: seis e vinte da tarde. Já era pra ele estar em casa. Aconteceu algo com ele. Pensou. Oh, por favor, Senhor, não ele. (página 235)

LEIA-ME JÁ!: Já o Brody, o momento em que ele desiste de procurar a verdade foi com o tubarão. No barco, Brody confronta Hooper, que diz que esteve com Daisy Wicker (que na realidade era lésbica). Entretanto, em um dado momento quando eles voltam da expedição, Brody pensa em ligar para Daisy para confirmar, mas desiste. Acho que a morte de Hooper teve o propósito de reatar o relacionamento entre Ellen e Brody.

Depois de atracar o barco, Brody caminhou até o carro. No fim do cais havia uma cabine telefônica. Ele parou ao lado dela, pronto para pôr em prática sua resolução anterior de ligar para Daisy Wicker. Mas reprimiu o impulso e foi para o carro. Pra que?  Pensou. Se houve algo, agora acabou. (página 258)

O CORUJAL: Um confronto no fim seria mais interessante, mas tudo acabou bem. Interessante analisar que eles mantêm o relacionamento por meio de outras pessoas, já que Ellen e Brody só ficaram juntos pela soma de fatores externos.
LEIA-ME JÁ!: Também esperava um confronto, mas acho que expectamos da maneira errada. Pela narrativa ser do ponto de vista de Brody, ficamos esperando uma atitude dele, mas na realidade, era Ellen que estava insatisfeita com o casamento. A vinda do tubarão fez com que Ellen pudesse experimentar um caso com Hooper, mas aí ela percebeu que não era isso que ela queria realmente.

FINAIS INDIVUDUAIS: LARRY VAUGHAN

O CORUJAL: Achei justo Larry se dar mal por tudo que ele fez pela cidade, mas fico receoso no final, quando Vaughan diz à Ellen que seus negócios ficaram para os sócios. Fico pensando se não teria nenhum risco desse suposto sócio exercer algum poder sob a cidade, e isso seria pior que Larry.
LEIA-ME JÁ!: Sim, também acho justo o que aconteceu com ele por tudo que ele fez (e pelo que não fez). Agora essa ideia do sócio tomar conta dos negócios remonta o predador, acho que deixa a sensação de “Brody matou um tubarão, mas existem outros, um mar inteiro de tubarões prontos para atacarem”.
O CORUJAL: Isso é legal porque tira o clichê de que tudo acaba bem.

FINAIS INDIVUDUAIS: MATT HOOPER E QUINT

LEIA-ME JÁ!: Achei legal Quint ter sido afogado e não atacado pelo tubarão. O autor se conteve quanto a isso e dá um toque mais realista à história. Em outras palavras, mostra que mesmo em um livro sobre um tubarão assassino, morrer em sua mandíbula não é a única forma de morrer.
O CORUJAL: É interessante o papel que a morte do Quint desencadeia no enredo, porque através dela, percebemos a opinião do autor sobre esse tipo de pescador, que não respeita a vida marinha e a natureza em si.

É o que parece quando a boca deles fica aberta. Disse Quint. Não faz parecer mais nada do que ele é. Ele é só um balde estúpido de lixo.
Como você pode dizer isso? Disse Hooper. Aquele peixe é uma beleza. É o tipo de coisa que faz você acreditar em Deus. Te mostra o que a natureza é capaz de fazer quando faz a sério.
Não fala merda. Disse Quint.  (página 227)

LEIA-ME JÁ!: Acho que a morte do Quint foi a forma do autor se vingar dele (risos). Já a morte de Hooper, achei meio tosco a forma como ele insistiu em entrar na gaiola. Depois de ver o tamanho do peixe e do perigo que ele oferecia, foi estupidez dele mergulhar.
O CORUJAL: Também achei estranho um especialista como ele se arriscar tanto. Mas em termos de descrição, nunca vi um capítulo tão agonizante como esse! A parte em que o tubarão começa a abrir espaço entre a gaiola é muito sufocante.
LEIA-ME JÁ!: Verdade, a tensão que o autor cria na narrativa é fenomenal! E na parte em que eles estão caçando, mas o peixe ainda não apareceu, não sei você, mas eu senti que o tubarão estava por perto. Sem contar a música que consegui “ouvir”, tudo isso pela forma como o autor conduz a narrativa.
O CORUJAL: Realmente, a narrativa tem esse ritmo, como se o tubarão estivesse na espreita observando, pronto para atacar a qualquer momento. Isso é um ponto positivo para o autor, já que o leitor consegue realmente sentir a tensão, e isso é uma coisa muito difícil de se fazer.

CONCLUSÃO E CONSIDERAÇÕES FINAIS

LEIA-ME JÁ!: Acho que no fim a cidade prosperou, já que o tubarão virou notícia no país, e consequentemente, uma atração.
O CORUJAL: Analisando o livro como um todo, gostei bastante! Acho que Peter Benchley tem um modo de descrever único que funciona com uma tensão que ele vai criando ao longo da narrativa. Isso é uma coisa que eu nunca tinha visto e que me surpreendeu muito. Gosto da forme como ele cria o terror psicológico, como você mesmo disse, não há mortes pra a todo momento. O terror em si está nas entrelinhas, é algo extremamente sublime.
LEIA-ME JÁ!: Sim! Achei estranho algumas resenhas que li, onde as pessoas reclamavam que o autor se demorava demais em descrever as pessoas e não dava muita atenção às mortes. Mas como você disse, é um terror sublime! Há todo um pano de fundo. E sinceramente, se fosse apenas um livro onde um tubarão mata pessoas, não haveria a construção muito bem feita das personagens, e nós, leitores, não nos importaríamos com elas. Acho que o modo como a obra foi escrita é a melhor possível, a tornou bem mais humana.
O CORUJAL: Realmente, a as personagens são muito bem criadas. Uma coisa que gostei muito no autor é que não há exagero no enredo. Tudo bem que não é comum, mas ele não extrapola como outros autores. É uma história simples, sem nada absurdo, fatos que realmente podem acontecer, e mesmo assim impressiona. Achei perfeito!
LEIA-ME JÁ!: Verdade, o autor não se demora e nem exagera. É simples e certeiro.


sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Leitura em Dupla: Parte II

Essa postagem faz parte do Leitura em Dupla, em parceira com o Leia-me Já!. Confira a parte I aqui

Segunda seção de discussão de Tubarão de Peter Benchley. Capítulos 5 a 8.

Tópicos discutidos nesse post:
- Visão otimista do tubarão
- O tubarão desaparece
- Cidade turística e Ellen.

[O CORUJAL NÃO SE RESPONSABILIZA PELOS SPOILERS AQUI POSTADOS!]

VISÃO OTIMISTA DO TUBARÃO

LEIA-ME JÁ!: O que você achou da forma científica que retrataram o tubarão, agora que há um especialista na história?
O CORUJAL: É impossível não perceber o contraste que há nessa altura da trama. De um lado temos os personagens que repudiam o tubarão e do outro o cientista Hooper, que deixa claro sua paixão em alguns trechos.
LEIA-ME JÁ!: Funciona como um contraponto, pois ele tira a carga negativa que os outros personagens colocam no tubarão. É bem isso que você disse, Hooper fala que estuda os tubarões por paixão, mas fico imaginando como serão as coisas daqui pra frente. Acho que o próprio cientista será responsável pela caça ao tubarão, mesmo ele dizendo que gosta. Marquei uma passagem interessante sobre isso:

Os tubarões têm tudo que os cientistas sonham. São bonitos – Deus, como são bonitos! São como uma máquina perfeita. São elegantes como qualquer pássaro. São tão misteriosos como qualquer animal na Terra. Ninguém sabe ao certo quanto tempo vivem ou quais impulsos – exceto a fome – respondem. Existem mais de duzentas e cinquenta espécies de tubarão, e cada uma é diferente da outra. Cientistas passam suas vidas tentando encontrar respostas sobre os tubarões, e assim que encontram uma boa teoria, algo a derruba. As pessoas têm tentado encontrar um repelente eficiente contra tubarões por mais de dois mil anos, mas nunca encontraram algum que funcionasse. Desculpe, não queria fazer uma palestra, como você viu, sou viciado. (página 114)

O CORUJAL: Acho que o autor demonstra sua paixão pelos tubarões através deste personagem. É legal observar também, que já há um contraponto dentro da própria opinião dele, pois quando Ellen diz que ela vê os tubarões como animais horríveis, Hooper não prossegue com a discussão. Acima de sua paixão, o personagem tem um senso, e isso o torna mais real.
LEIA-ME JÁ!: Realmente, ele sabe que é uma discussão perdida. Sabe que as pessoas não serão convencidas e que não há argumento, por isso não insiste. Acho que essa parte do personagem reflete bem a paixão do autor, como ele disse na introdução.
O CORUJAL: Sim, isso é bem claro! Consigo perceber explicitamente a opinião do autor através desse personagem.

CADÊ O TUBARÃO?

 O CORUJAL: Confesso que não entendi absolutamente nada da intenção do autor nesse ponto. Nas primeiras páginas já discutidas, há todo um preparo, uma estrutura em torno do tubarão. A trama girava em volta dele, mas nas seguintes páginas, o tubarão some completamente.
LEIA-ME JÁ!: Eu percebi que o livro é dividido em três partes. Essa divisão me lembrou peças de teatro, que geralmente, são divididas em três atos: o primeiro apresenta o enredo geral e os personagens, o segundo apresenta o dilema (aqui entra Brody, a esposa e as questões da cidade turística) e o terceiro o desfecho. Acho que o autor usou essa mesma estrutura; no começo temos Brody e a questão das praias, e agora Brody e suas questões pessoais, fora de seu ofício. Quando acabei nossa proposta de leitura, me intriguei a respeito de algo e voltei ao começo do livro para reler algumas passagens sobre a Ellen, e descobri que ela e Brody sempre foram o foco. O tubarão desencadeia a trama, mas ele nunca foi a trama em si: ele faz com que as questões políticas da cidade sejam descobertas, faz com que os problemas conjugais de Brody e Ellen se agravem...
O CORUJAL: Agora que você citou faz todo o sentido, e acho que foi por isso que estranhei o desaparecimento do tubarão. Quando comecei a leitura, esperava que o tubarão fosse o foco, mas se o autor tivesse tomado esse caminho, a história ficaria chula e pobre. Os subenredos, que vieram à tona nessa segunda leitura, deixaram a história mais viva e rica. Acho que entendi errado no começo.
LEIA-ME JÁ!: Acho que no início, o tubarão é sim o foco, mas ele deixa de ser a partir da terceira morte. Nas duas primeiras mortes, o ataque é descrito com muitos detalhes, mas na terceira em diante, ficamos sabendo apenas por uma terceira pessoa. Ou seja, o autor para de contar a perspectiva do tubarão, e ele deixa de ser o foco. Benchley não quer retratar apenas os ataques, mas sim contar a história daquelas pessoas. Achei muito inteligente a forma como ele constrói os personagens, e particularmente, nem percebi a falta do tubarão.
O CORUJAL: Sim, ele coloca o tubarão de lado, mas ainda assim consegue movimentar a história. É interessante como ele faz essa mecânica funcionar. Ele consegue fazer uma transição de perspectiva sem perder o foco, e isso é muito difícil!
LEIA-ME JÁ!: Verdade, é muito sutil! Só percebi quando reli o começo. Achei legal porque, nessas páginas lidas, não há ataques do tubarão, mas ele tá sempre lá. Sempre alguém está falando dele.
O CORUJAL: Sim, mesmo que não explicitamente, o tubarão está sempre presente nas entrelinhas. As personagens comentam sobre ele, e Ellen só conhece o cientista por causa dele. Parando para pensar, Peter Benchley é de uma sutileza sem igual! Mal consigo perceber como ele muda de cena.

CIDADE TURÍSTICA E ELLEN

LEIA-ME JÁ!: Me senti estúpido em não prever a traição da Ellen. Fica tão evidente desde o começo, que foi ingenuidade minha não ter percebido (risos). E nessa questão do autor, ele me lembra o Stephen King, que faz terror mas não fica o tempo todo dando atenção ao “monstro”. Como Peter, Stephen desenvolve as personagens intercalando com o terror. Isso torna a leitura suave.
O CORUJAL: Eu consegui imaginar essa traição, pois mesmo na nossa primeira discussão, comentamos como Ellen se sente desolada na posição em que ela se encontra. Ela deixa claro que a vida que Ellen leva com Brody em uma cidade turística, não é a que ela deseja. Quando o cientista chega, ele traz consigo o passado dela, então eu soube que algo do tipo aconteceria. E sobre os autores, eu também concordo, eles vão muito além do assunto principal, e conseguem desenvolver o que está “ao redor” junto com a trama em si. O único problema de King é que ele se demora muito, né? (risos).
LEIA-ME JÁ!: Verdade, Stephen extrapola! O legal do Peter é que não senti esse exagero, ele tá interessado em contar a história dessas pessoas e eu estou gostando bastante de como ele faz isso. Acho que torna a história mais completa. E sobre a Ellen? O que você acha? Por incrível que pareça, eu não consigo odiá-la, eu acho que ela retrata muito bem as pessoas que estão insatisfeitas com a vida. Claro que eu repudio o que ela fez, mas não a odeio, pois ela parece ser uma pessoa real. Já o cientista não me agradou! É como se eu gostasse do profissional que ele é, mas detestasse ele como pessoa.
O CORUJAL: Tratando-se de personagem, uma coisa que percebi na escrita do autor, é que ele não tem dó de criar personagens baseando-se na vida real. Temos o Brody que, mesmo sendo um policial, não impediu o fechamento das praias quando pôde, e a Ellen que também tem seus defeitos. Por outro lado, o cientista é “perfeito”, e eu detesto personagens desse tipo. Sobre a Ellen: também não a odeio, porque consigo ver nela pessoas reais que se sentem infelizes em viver em cidades turísticas.
LEIA-ME JÁ!: Há alguns trechos que mostram o que as pessoas acham da Ellen, completam a ideia da nossa primeira discussão, que diz que Ellen se sente deslocada, aquele lugar não é o lugar dela, é como se ela não pertencesse àquilo:

Minnie não gostava dela, e estava certa. Minnie se sentia desconfortável com Ellen, porque não conseguia decifrá-la. Ellen não era nem veranista nem moradora local. Não ganhou sua caixa de correio anual, casou-se com ela. (página 110)

LEIA-ME JÁ!: Quando ela vê o cientista e lembra do irmão dele e de seu passado, o autor escreve trechos de uma forma poética muito profunda!

O passado – com um pássaro preso em uma gaiola há muito tempo e solto de repente – voava sobre ela, circulando por sua cabeça, inundando-a com saudades de um tempo bom. (página 116)

O passado sempre parece melhor quando você se lembra dele, mais do que ele realmente foi na época. E o presente nunca parece tão bom quanto parecerá no futuro. É deprimente ficar muito tempo revivendo as velhas alegrias. Você acha que nunca terá algo tão bom novamente.

O CORUJAL: Essa questão que você ressaltou que ela não pertence àquele lugar é bem explícito, né? Inclusive, os próprios personagens percebem isso e passam para os leitores. Confesso que o autor tem me surpreendido bastante, não dava nada para esse livro, mas tem se revelado uma leitura muito boa!
LEIA-ME JÁ!: Também não esperava muito de Tubarão, mas estou gostando bastante. Esse tipo de leitura me lembra um livro que li há muito tempo, As Ruínas, se parece bastante com Tubarão em certos aspectos.
O CORUJAL: Nunca li As Ruínas. Quanto às cidades turísticas, acho que isso tá bem presente na Ellen, já que essa questão gira em torno dela. Ela está bem infeliz, porque querendo ou não, você depende muito das outras pessoas para viver.
LEIA-ME JÁ!: Essa questão da dependência para sobreviver, vai estar mais explícita na terceira parte, já que as pessoas estarão mais amedrontadas com o tubarão, e sem veranistas não há lucro para a cidade. Eu nunca parei para pensar nessa questão das cidades turísticas, mas percebi numa viagem que fiz. Cheguei a comentar com a minha irmã “Essa cidade é linda para visitar, mas morar aqui deve ser horrível!”. Os moradores precisam trabalhar enquanto os turistas se divertem e desfrutam do que a cidade lhes oferece. E como se as pessoas fossem privadas do que a cidade tem para oferecer. Um ajudante do Brody fala algo parecido com “Nossa, eu moro no litoral, mas nunca fui à praia.”


Fique ligado nas postagens futuras do Leitura em Dupla!

domingo, 2 de agosto de 2015

Calendário do Leitura em Dupla

Preparem-se para o Leitura em Dupla 2015.  Em parceria com o blog Leia-me Já!, o O Corujal leu o livro Tubarão de Peter Benchley e juntos discutimos sobre a obra. Nossas discussões serão compartilhadas com vocês que poderão conferir cada parte das nossas confabulações de acordo com o calendário a seguir. As postagens serão divididas entre os blogs, por isso, algumas partes estarão exclusivamente postadas aqui e outras no blog Leia-me Já!. Esperamos que essa aventura não seja exclusivamente em dupla, pois contamos com a participação de vocês! Embarquem nessa leitura conosco: devore ou seja devorado!

07/08 Primeira seção de discussão de Tubarão de Peter Benchley. Capítulos 1 a 4 (confira aqui)

Nessa discussão você encontra: 
- Darkside Books e a edição de Tubarão; (confira aqui o Edição de Garra do Corujal)
- Benchley e Spielberg;
- Os ataques do tubarão;
- Personagens e subenredos;
- E um milhão de spoilers.

14/08 Segunda seção de discussão de Tubarão de Peter Benchley. Capítulos 5 a 8  (no O Corujal)

Nessa discussão você encontra:
- Visão otimista do tubarão;
- Cadê o tubarão?;
- Cidade turística e Ellen;
- Mais spoilers.

21/08 Terceira seção de discussão de Tubarão de Peter Benchley. Capítulos 9 a 11 (no Leia-me já!)

Nessa discussão você encontra:
- O segredo do prefeito;
- A imprensa e seu público;
- Brody e seus dilemas;
- Especulações para o desfecho;
- Mais spoilers para não perder o habito.

27/08 Quarta seção de discussão de Tubarão de Peter Benchley. Capítulos 12 a 14 (no O Corujal)

Nessa discussão você encontra:
- O Confronto final
- Desfecho geral
- Brody e Ellen
- Larry Vaughan
- Matt Hooper e Quint
- Conclusão e considerações finais
- Mais spoilers pra encerrar com chave de ouro!

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Edição de Garra: Tubarão


Desta vez o Edição de Garra é especial! Como já anunciado, O Corujal está participando de um projeto em parceria com o blog Leia-me Já!: é o Leitura em Dupla. Em suma, o projeto se resume a um livro que ambos os autores dos blogs leriam ao mesmo tempo, fazendo comentários e críticas simultâneas. O livro escolhido para o Leitura em Dupla foi Tubarão de Peter Benchley, e ao ter a edição de brochura (paperback) deste livro em mãos, não pude deixar de lado a edição que é muito caprichada! Sendo assim, juntei o útil ao agradável e resolvi trazer Tubarão para o Edição de Garra também. Você pode conferir mais informações sobre o Leitura em Dupla (que será postado em agosto) aqui

Todos sabemos que a Darkside é conhecida por fazer um trabalho incrível nas edições de seus livros, que por sinal, são vendidos por um preço bem mais acessível que outras "edições de luxo" fuleiras que existem por aí. Com Tubarão não poderia ser diferente, e já aviso que a editora caprichou muito! Há uma outra edição de capa dura, mas particularmente, eu prefiro a de brochura. 

Começando pela clássica capa, que remete à capa do filme e da primeira edição do livro. A capa da edição em capa dura é diferente e não segue esse padrão que já é considerado uma marca para esse livro/filme. O livro acompanha marca páginas exclusivo, cuja ponta triangular lembra a barbatana dorsal do tubarão quando posto dentro do livro. A capa me agradou bastante por ser simples, clássica e bonita!



Na lombada tempos o nome do livro, do autor e da editora. Preciso ressaltar o diferencial da Darkside nesse quesito. Particularmente acho tão mais bonito, esteticamente falando, a forma como a editora "assina" seus livros. O nome em si na parte superior da lombada, e na inferior apenas a caveira, que é o logo da editora. Não haver nada, realmente, escrito na parte inferior, dá um aspecto muito bonito para os livros quando colocados na estante.


Quando abrimos o livro, uma surpresa, o livro abre literalmente. Na parte interior temos uma segunda capa com cenas da adaptação cinematográfica, que também estão presentes no marca páginas. 


Ao desdobrarmos a capa completamente, temos a imagem em vermelho-sangue de várias pessoas em uma praia correndo da água. 


Com o livro devidamente aberto, temos duas páginas com o nome do livro e autor


A página de dedicatória também recebeu tratamento especial. 


A página com informações técnicas da editora também foi customizada.


O livro é dividido em três partes, e em cada início dessas tais partes há uma imagem de tubarões em preto e branco. 



No início dos capítulos temos o nome do livro e do autor e no fim, uma assinatura do autor.



Esse foi o Edição de Garra, fique atento as postagens do Leitura em Dupla para ficar por dentro desse livro sensacional! Até mais!