Mostrando postagens com marcador Stephen King. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Stephen King. Mostrar todas as postagens

domingo, 8 de novembro de 2015

Passeando por: A Coisa


UMA ANÁLISE DESCRITIVA DE PENNYWISE


Aviso: O texto que segue não se trata de uma resenha sobre o livro A Coisa (aqui). E O Corujal não se responsabiliza por qualquer spoiler aqui postado.

O QUE É A COISA?
      Pennywise nada mais é que uma das múltiplas facetas da Coisa, portanto, antes de focarmos no nosso querido palhaço, vejamos afinal, o que é a Coisa.
      Desde o princípio, King deixa uma enorme cratera na cabeça do leitor quanto à origem e natureza da Coisa. Sabemos quais são seus propósitos, o porquê dos ataques e, é claro, seu modos operandi. Entretanto, o leitor não possui nenhum tipo de ciência do que realmente é a Coisa.

"Aromas de terra e umidade de legumes estragados se misturavam com o aroma inconfundível e inescapável, o cheiro do monstro, a apoteose de todos os monstros. Era o cheiro de uma coisa para qual ele não tinha nome: o cheiro da Coisa, agachada, espreitando e pronta para atacar. Uma criatura que comeria qualquer coisa, mas que era particularmente faminta por carne de garoto." (página 16)

      O autor nos explica mais tarde que, essa suposta entidade, não possui forma alguma. Que se trata, na verdade, de um grande espelho refletindo os pesadelos e o que há de pior nas pessoas, fazendo com que a verdadeira face da Coisa permaneça em mistério.

"A mulher do escritor agora estava com a Coisa, viva, mas não exatamente viva; a mente dela foi completamente destruída pela visão da Coisa como ela realmente era, com todas as pequenas máscaras e glamoures jogadas de lado. E todos os glamoures eram apenas espelhos, e claro, que devolviam pra pessoa apavorada a pior coisa na mente dele ou dela, cristalizando imagens como um espelho devolveriam o reflexo do sol para um olho aberto que nem desconfia a ponto de deixá-lo cego" (página 985)

      Sabemos, portanto, que a Coisa é um ser por trás de várias peles, e como se não fosse o bastante, uma
força maligna presente em toda a cidade.

"Vou contar para Bill, para ele entender. Está em todas as partes de Derry. Ela simplesmente ocupa os espaços vazios, só isso" (página 879)

"— Eu t-t-trouxe vocês a-aqui p-p-p-p-porque n-n-nenhum lugar é s-s-seguro [...] —D-D-Derry é a Coisa!" (página 943)

      Curiosamente, apenas as crianças têm qualquer tipo de contato com a coisa. O autor explora bastante esse lado, deixando explícito o que a imaginação das crianças podem causar à elas mesmas. 

"Era como um vilão de quadrinhos. Por que eles viam assim? Pensavam nele assim? Sim, talvez fosse isso. Era coisa de criança, mas parecia que era disso que essa coisa se alimentava, de coisa de criança" (página 694)

QUEM É PENNYWISE?

      Pennywise é a mais comum, e sem dúvida a mais marcante, forma da Coisa. Ele é descrito como um palhaço com roupa prateada adornada com grandes pom poms laranjas. 
      O grande trunfo de King na criação do palhaço é na personalidade dele. Pennywise é manipulador, cruel e frio, tendo como traço mais forte a artificialidade. O palhaço é tão falso, que chega a ser cômico (com perdão do trocadilho). As más intenções de Pennywise são extremamente visíveis, porém em meio às crianças, passam despercebidas. 
        Toda essa falsidade leva o leitor a fazer uma pequena conexão com a realidade. Sim, muitas vezes usamos da "força do maior"para enganar as crianças na cara dura. Seja por proteção, pra poupá-las ou por preguiça de explicar algo. Nós sempre moldamos a realidade pras crianças, e isso só é tão fácil porque elas precisam acreditar no que lhes é dado.
      A reflexão que vem junto com esse ponto é bem interessante, e quando analisado sob um olhar um pouco mais dramatúrgico, só faz aumentar o terror psicológico criado por King. Ao longo da trama, é inevitável que surjam perguntas na cabeça do leitor do tipo "e se a Coisa realmente existisse?", e esse incômodo psicológico só é possível através de Pennywise. 

"A Coisa sempre se alimentou bem de crianças. Muitos adultos poderiam ser usados sem saber que foram usados, e a Coisa já tinha se alimentado de alguns mais velhos ao longo dos anos. Os adultos tinham seus próprios pavores, e as glândulas deles podiam ser invadidas, abertas, para que todos os componentes químicos do medo jorrassem pelo corpo e salgasse a carne. Mas os medos das crianças eram mais simples e normalmente mais poderosos. Os medos das crianças costumavam ser invocados com um único rosto... e se fosse preciso usar isca, ora, que criança não adorava um palhaço?" (página 986)




      O palhaço virou ícone da cultura pop e marcou, junto com outros personagens, o terror dos anos oitenta/noventa. Frases como "Você quer um balão?" e "Todos flutuam aqui em baixo" ainda lembram o rosto macabro de Pennywise. 






PENNYWISE NO CINEMA
Tim Curry
      Em minha resenha de A Coisa, eu comentei em como a atuação fantástica de Tim Curry me impressionou, e reforço aqui minha opinião. Quando li o livro já sabia da existência do filme, e durante a leitura, uma das coisas que mais me intrigara foi a preocupação na adaptação do palhaço. Eu queria muito que a ironia, a artificialidade e o tom mentiroso e medonho de Pennywise fossem mantidos, mas achava a tarefa um tanto difícil e não botava fé na adaptação cinematográfica.
      Para minha felicidade, eu estava completamente errado. O ator Tim Curry conseguiu captar os traços mais marcantes do palhaço e passar para o público de uma forma muito original. Posso assegurar plenamente que quem não leu o livro, mas assistiu ao filme, não perdeu nada com relação a esse personagem. 
Will Poulter
      Foi anunciado recentemente um remake do filme, onde Will Poulter (As Crônicas de Nárnia, Maze Runner) interpretaria o palhaço. Isso me deixa apreensivo, pois o ator não possui experiência nesse tipo de filme, podendo levar a imagem do personagem para outro rumo. É claro que não deixa de ser uma oportunidade para Will trabalhar em um meio diferente. Tudo dependerá do esforço do ator....






RUMORES
Há um pequeno rumor que não podia ficar de fora deste post. Algumas pessoas especulam que Stephen King se baseou em John Wayne Gacy (o Palhaço Assassino) para criar Pennywise. John foi um assassino em série acusado de matar pelo menos 33 garotos entre 1972 e 1978 em Chicago, no Illinois. O palhaço foi sentenciado a 14 anos de prisão antes da pena de morte. Durante essa pena, John pintou quadros que foram leiloados por até $20.000. o "Palhaço Assassino" foi morto por injeção letal em maio de 1994.






Este foi o Passeando por: A Coisa, fiquem ligados nas próximas postagens!


terça-feira, 18 de agosto de 2015

It: A Coisa - Stephen King

"— Eles flutuam — rosnou a coisa — eles flutuam, Georgie, e quando você estiver aqui em baixo comigo, também vai flutuar..."



Título: It: A Coisa

Autor: Stephen King

Título original: It

Tradução: Regiane Winarski

Editora: Objetiva (Suma de Letras)

2014





A Cosia. Você com certeza já viu ela. Talvez um livro, um filme ou em seus pesadelos;

A Coisa é o medo.

Era essa a premissa de Stephen King: criar uma criatura cuja essência é o medo. E de certa forma foi isso que ele fizera. A Coisa se passa na cidade fictícia de Derry, no Maine, onde um grupo de crianças – o Clube dos Otários – acidentalmente, descobre uma entidade maligna cuja forma fixa não existe – embora a forma de Pennywise, o palhaço, seja a mais comum –, de modo a assumir uma aparência que se assemelhe aos pavores das pessoas.

“E quando a imagem de Eddie do que era a Coisa começou a sumir, a Coisa começou imediatamente a adquirir outra aparência.”

Esse primeiro confronto, em 1958, tem como plano de fundo o assassinato de George, irmão caçula do líder do Clube dos Otários: Bill. O desfecho deste encontro com a Coisa acaba bem para os protagonistas, que mesmo acreditando que a Coisa tenha morrido, fazem uma promessa de retornar à Derry se a Coisa, um dia, voltar. E é exatamente isso que acontece em 1985

“— Uma pessoa me ligou. Uma pessoa que conheci há muito tempo. Em outro lugar. Naquela época, aconteceu uma coisa. Fiz uma promessa. Todos prometemos que voltaríamos se essa coisa voltasse a acontecer. E acho que voltou”

Agora, vinte e sete anos mais velhos, o grupo de amigos precisa reviver as lembranças e pesadelos do que, um dia, fora a Coisa.

“A Coisa sempre se alimentou bem de crianças. Muitos adultos poderiam ser usados sem saber que foram usados, e a Coisa até já tinha se alimentado de alguns mais velhos ao longo dos anos. Os adultos tinham seus próprios pavores, e as glândulas deles podiam ser invadidas, abertas, para que os componentes químico do medo jorrassem pelo corpo e salgassem a carne. Mas os medos das crianças eram mais simples e normalmente mais poderosos. Os medos das crianças costumavam ser invocados com um único rosto... e se fosse preciso usar uma isca, ora, que criança não adorava um palhaço?”

Essa premissa é fantástica, e confesso que o autor conseguiu me prender ao longo de toda a trama – que de pequena não tem nada. A forma como King narra os acontecimentos do ponto de vista de sete crianças sem soar infantil é de se admirar! Em Sobre a Escrita (resenha aqui), o autor nos revela que A Coisa foi escrita a partir de algumas memórias do próprio, e de certa forma, ele consegue deixar isso bem explícito no livro. Junto com King, revivemos nossas memórias de infância, pois é impossível não se identificar com uma coisa ou outra. A essência do livro é sim o medo, mas o medo de criança, e o autor constrói uma atmosfera tão nostálgica que chega a ser real.

“Sim, talvez fosse isso. Era coisa de criança, mas parecia que era disse que essa coisa se alimentava, de coisas de criança.”

Há vários lapsos de tempo no livro, e a narrativa alterna entre o primeiro encontro com a Coisa e os acontecimentos atuais. É fato que, como sempre, Stephen King cria inúmeros subenredos e coisas que, em termos, são desnecessárias, mas, como leitor, tive a impressão de que todos aqueles pontos de fuga foram essenciais para a atmosfera que o autor estava tentando criar. É uma leitura extremamente extensa, mas eu estava aproveitando tanto as páginas que isso nem me afetava. Até chegar ao desfecho...
      Pelo fato da Coisa ser uma criatura tão enigmática, a maior curiosidade do leitor é descobrir, enfim, o que é a coisa e como ela funciona. E se seu medo é esse, caro leitor, fique tranquilo, pois Stephen King nos dá uma explicação. O único problema, entretanto, é que isso não é convincente e nem um pouco plausível. Há, nas entrelinhas, uma forte conexão com A Torre Negra, mas King não pode tomar isso como um veredito, pois seria uma ofensa aos seus leitores, que não necessariamente, leram a Torre Negra. O livro começou a ser escrito em 1981 e terminado em 1985, e talvez seja esse o motivo do começo e fim serem tão distintos. A sensação que tive – além do vazio na conclusão – fora de que o autor mudara o modo de pensar no decorrer dos anos e isso refletiu na trama. Realmente poderia ter sido melhor...

Bônus: It – Uma Obra Prima do Medo.

      Não é do meu feitio comparar os livros com suas adaptações cinematográficas, mas não pude deixar passar essa oportunidade de compartilhar minhas impressões a respeito deste filme.
É fato que o filme é bem reduzido em comparação com a obra, e isso é completamente aceitável, pois é uma tarefa quase impossível adaptar 1102 páginas – mesmo que em três horas de duração. A trama, ao meu ver, ficou bem confusa nos cinemas – devido aos lapsos de tempo –, e acredito que quem leu o livro tenha aproveitado muito mais que quem viu apenas o filme. Este, entretanto, não é o assunto em questão, pois o motivo dessa comparação de livro x filme, é apenas um: Pennywise
      A interpretação impecável de Tim Curry no papel do palhaço não poderia ser melhor. O ator dá vida a Pennywise de uma forma tão sombriamente visual, e cria um terror psicológico tão fantástico, que não senti em momento algum do livro. Achei que o palhaço assassino seria um personagem pretensioso e sem graça no filme, justamente por causa do terror psicológico, mas pra minha felicidade, eu estava errado! 




quinta-feira, 13 de agosto de 2015

As Terras Devastadas - Stephen King

“Viajante, adiante fica o Mundo Médio.”


Título: As Terras Devastadas

Autor: Stephen King

Título Original: The Waste Lands

Tradução: Alda Porto

Série: A Torre Negra

Editora: Objetiva (Suma de Letras)

                                                         2005             



A leitura da série A Torre Negra vem se revelando, a cada volume, uma inédita surpresa. Em As Terras Devastadas, King deixa de lado as teorias e adaptações dos personagens em relação à transição de universos e parte logo para a narrativa agitada da série. Portanto, nesse volume, o leitor presencia um ritmo mais rápido, com menos teoria e mais ação. É claro que o autor não nos deixa completamente sem informações – embora fechamos o livro com mais uma dúzia de questões – mas o foco não é esse.
Neste volume não só tempo e espaço estão em conflito, mas também a lucidez de Roland. O pistoleiro encontra-se em conflito consigo mesmo, sem chegar em uma conclusão se o menino Jake realmente existiu (já que o garoto morreu em ambos os universos). Eddie e Susannah também são pistoleiros agora e permanecem ao lado de Roland mesmo em seus piores momentos.
“A verdade é que ela não trocaria o mundo de Roland por nada”
Também ficamos por dentro da história completa de Jake, e que, mesmo em Nova York, o garoto retém muitas respostas importantes para o mundo de Roland.
“– Nós somos um ka-tet – começou o pistoleiro –, o que significa um grupo de pessoas unidas pelo destino”
Em suma, As Terras Devastadas narrará as impressões das personagens em viajem pelo Mundo Médio, mas devo ressaltar que Stephen King é o rei dos subenredos, e que mesmo que mais próximos da torre, continuamos nas delongas do autor. Não que isso seja um ponto negativo, pelo contrário, acho que sem os detalhes excessivos do autor – que já é uma característica dele –, o enredo ficaria cru. É fato que os ansioso de plantão ficarão bravos com o autor ao ver que, em muitos momentos, a torre em si sai de foco, mas isso pode ser tolerado em vista da grandiosidade da obra.
Mesmo não tendo lido O Senhor dos Anéis – livros que inspiraram a série –, não pude deixar de notar algumas semelhanças neste livro. A premissa de um grupo com um objetivo em comum – um ka-tet – sair em uma aventura fantástica por terras desconhecidas, lembra muito o universo de Tolkien.
Revelações à parte, o fim não me agradou muito, mas esses finais em aberto são característicos da Torre Negra, e de certa forma, funciona como combustível para a leitura da obra, já que mais que chegar à torre, os leitores querem respostas.
“O pistoleiro é a verdade...”

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Sobre a Escrita: A Arte em Memórias - Stephen King

"Somos escritores, e nunca perguntamos um ao outro de onde tiramos nossas ideias; nós sabemos que não sabemos"





Título: Sobre a Escrita - A Arte em Memórias

Autor: Stephen King

Título original: On Writing - A Memoir of the Craft

Tradução: Michel Teixeira

Editora: Objetiva (Suma de Letras)

2015



      Longe do campo da ficção mórbida que é esperado de Stephen King, é escrito Sobre a Escrita – A Arte em Memórias, um conjunto de dicas para aspirantes a escritores e um pouco da experiência de King com o ofício.
      O livro se divide basicamente em três partes. A primeira nos conta como King iniciou no universo literário, das primeiras coisas que leu e escreveu, das lembranças familiares e de suas primeiras publicações. Não, isso não é uma autobiografia. Como o próprio autor diz, aqui encontraremos memórias da vida de King em pontos que dizem respeito à sua formação de escritor e motivação literária, nada a mais.

“O que se segue é uma tentativa de escrever, de maneira breve e simples, como me iniciei no ofício, o que sei sobre e isso e como se faz.
Trata-se do trabalho diário; trata-se da linguagem.”

      Na segunda parte, o autor nos mostra a parte prática na arte da criação. Aqui, King apresenta uma série de requisitos e dicas para quem pretende se aventurar nos ramos da escrita.
      Na última parte, ficamos por dentro do acidente que ocorreu com o autor e que o deixou entre a vida e a morte. King conta, que como um livro sobre a escrita, ele não incluiria nenhuma memória autobiográfica, mas como este acidente ocorreu na mesma época em que o livro fora escrito, o autor achou importante constar em suas páginas.

“Quanto mais você ler, menos estará propenso a fazer papel de bobo quando for escrever algo”.

      Sobre a Escrita é uma leitura obrigatória para qualquer aspirante a escritor (e para qualquer fã de Stephen King). É objetivo e franco, mostrando todos os aspectos – positivos e negativos – que permeiam a vida do escritor. Mesmo sendo breve, remonta a todos os processos criativos de uma trama e nos deixa atônitos com a honestidade ácida do autor, (além de ser uma riqueza de referências literárias universais).

“A verdadeira importância da leitura é criar facilidade e intimidade com o processo da escrita"

      Nesse livro, o autor deu sua cara à tapa, encarando o papel de instrutor e crítico. Aqui conhecemos um Stephen King técnico, que não é apenas um romancista, mas alguém que sabe o certo a se fazer.


“Não como se faz um escritor; eu não acredito que escritores possam ser feitos, nem pelas circunstâncias nem por autodeterminação.”

domingo, 19 de abril de 2015

A Escolha dos Três - Stephen King

"- Três. Este é o número do seu destino.
- Três?

- Sim, o três é místico. O três fica no coração de sua busca. Outro número vem mais tarde. Agora o número é três."


Título: A Escolha dos Três

Autor: Stephen King

Título Original: The Drawing of the Three

Tradução: Mário Molina

Série: A Torre Negra

Editora: Objetiva (Suma de Letras)

2007






Quando se trata de A Torre Negra, a busca do esclarecimento das incessantes dúvidas que Stephen King provoca é o combustível para a leitura da obra. E neste volume, A Escolha dos Três, essas dúvidas não cessam, muito pelo contrário, abrem-se mais questões sem respostas que seu antecessor, O Pistoleiro.
      Como visto no volume anterior, Roland precisa cumprir a profecia dita pelo Oráculo e conseguir uma influência positiva na escolha dos três, pois os três são sua rota para a torre. Mas afinal, o que são os três? Como sempre, com muitas questões e poucas respostas, partimos com Roland em busca do prisioneiro, a dama das sombras e da morte.

“O primeiro é jovem, de cabelo preto. Está próximo do roubo e do homicídio. Um demônio tomou conta dele. O nome do demônio é heroína.
– O segundo?
Ela vem de rodas. Não vejo mais
– O terceiro?
Morte... mas não para você”.

A Escolha dos Três é mais flexível e dinâmico que seu antecessor. Aqui veremos, em prática, a capacidade de King em mesclar universos fictícios com o mundo real. Mesmo sendo um grande admirador da ficção fantástica, sou um tanto crítico quando se trata dessa mistura, pois são poucos os autores que conseguem fazer essa mecânica funcionar. E fico feliz em reconhecer que o autor não só conseguiu fazer um bom uso dessa mistura, mas conseguiu fazer isso sem soar supérfluo ou pretensioso.
      Aqui veremos como Roland, um ser de um mundo distante, lidaria com problemas do cotidiano de muitas pessoas. O pistoleiro precisa convencer alguns americanos a seguirem com ele em sua incessante busca pela torre. Eddie Dean, um viciado em heroína, Oddeta Holmes, uma negra esquizofrênica com transtornos de dupla personalidade e a morte... Diante de tantas alianças a serem formadas, será mesmo que Roland (o mesmo Roland que sacrificara Jake) passaria a deixar sua obsessão pela torre de lado para ter amizades? Ou será que as ações do pistoleiro sem apenas em prol da torre?

“Compreendia de fato que só três coisas tinham importância: a mortalidade, o ka e a Torre.”

Novamente mergulhado em dúvidas, o leitor precisará caminhar pelas Terras Devastadas para saciar sua sede.

“Quero que se junte a mim numa busca. Tudo, é claro, pode muito bem acabar igualmente em morte... morte para nós quatro num lugar estranho. Mas se conseguirmos chegar... – Seus olhos brilharam – Se conseguimos chegar, Eddie, você verá uma coisa que supera todas as crenças de todos os seus sonhos.
–Que coisa?
–A Torre Negra.”

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

O Pistoleiro - Stephen King

 “O homem de Preto fugia pelo deserto e o pistoleiro ia atrás”



Título: O Pistoleiro

Autor: Stephen King

Título Original: The Gunslinger

Tradução: Mário Molina

Série: A Torre Negra

Editora: Objetiva (Suma de Letras)

2004




      Muitos reconhecem Stephen King pelos seus clássicos, como O Iluminado, Carrie, O Cemitério e vários outros. Eu, por vez, reconheço King por sua obra sem igual: A Torre Negra. Quando me falaram de Stephen King pela primeira vez, fora para falar de A Torre Negra e na época, mal sabia eu, que estava prestes a adentrar em um mundo totalmente novo, um mundo devastado pela destruição, um mundo que segui adiante...

“Dizemos que o mundo seguiu adiante; talvez estejamos querendo realmente dizer que ele começou a secar”

      E é neste universo destruído que King nos ambienta. O autor nos deixa na mão de Roland de Gilead, um homem ambicioso por seus objetivos, um homem que realmente não se importa com os demais detalhes da história, desde que ele alcance o que procura, um homem louco, um verdadeiro pistoleiro. Mas não veja Roland como um antagonista, afinal, o pistoleiro visa apenas a solução para a devastação de seu mundo. A noção de tempo e espaço já não existe e o eixo para isso tudo, para as respostas do pistoleiro e para a solução de seu problema, é a torre. Por vez, Roland não sabe seu paradeiro e muito menos como chegar a seu destino, porém, ele sabe quem precisa alcançar para conseguir tais informações e é aqui que a trama segue.
      Somos jogados em um mundo devastado, para seguirmos com um desconhecido num deserto mórbido numa caçada a um homem: o homem de preto. Pois conseguindo o homem de preto, conseguimos a torre. Pode parecer egoísta e insensato da parte de Roland, mas somos partes de seu ka-tet (pessoas ligadas a seu destino, ao seu ka)

“Tudo isso fora escrito. Em algum lugar, a mão de alguém depositara tudo no livro do ka”

      A narrativa gera inúmeras dúvidas no leitor, pois a princípio, não temos nenhuma informação sobre o motivo de Roland estar buscando desenfreadamente o homem de preto e a torre. Pouco sabemos também de seu passado, que é revelado vagamente em certas partes da trama. Pouca informação, muitas dúvidas, acostume-se leitor, este é o trunfo da torre. Devo confessar que o fator que mais me impressionou na escrita de King é a maestria que ele possui quando o assunto é ligar um mundo fictício com o mundo real (mais detalhes em A Escolha dos Três). Sim, a serie tem uma conexão, não apenas com o nosso mundo, mas com muitos outros. E sim, não somos os únicos a fazer parte do ka-tet de Roland, pois acabamos por trombar em Jake Chambers, um garoto que fora parar no universo de King apenas pelo fato de ter morrido em Nova York.

“Vá. Há outros mundos além deste.”

      Creio que o fascínio que me contaminou por esta serie, tanto se deve a sua originalidade e criatividade como a história de King em relação à obra. Logo no início do livro, há uma introdução sem igual onde ficamos sabendo que King demorou mais de trinta anos para finalizar o último capítulo da série, ficamos sabendo também que quando ele resolvera parar de escrevê-la, uma Plymouth (como em Christine) que o jogara em uma vala fora o motivo de King voltar a escrever. Stephen recebera cartas perguntando o que Roland encontraria na torre mesmo quando nem ele sabia. E quando alguém cita o nome de Stephen King em minha roda de amigos, e eu como admirador, cito A Torre Negra, as pessoas raramente conhecem, pois estavam ocupadas lendo O Iluminado...


“Tudo no universo rejeita o nada; sugerir um término é o único absurdo que existe”