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sexta-feira, 2 de outubro de 2015

A Faca Sutil - Philip Pullman

Se existe algo como sombra coloridas, era o que refletia a lâmina da faca sutil.” 


Título: A Faca Sutil

Autor: Philip Pullman

Título Original: The Subtle Knife

Tradução: Eliana Sabino

Série: Fronteiras do Universo


Editora: Objetiva

                                                             2013






      Em A Bússola de Ouro, somos introduzidos no universo fantástico de Philip Pullman. O autor nos apresenta à Lyra e Pan, ao aletiômetro, à Sra. Coulter, aos dimons e muito mais; e desde então, o leitor é preso pela curiosidade acerca dos mistérios do pó – o que me leva a crer que os leitores mais ansiosos por respostas não ficarão tão satisfeitos ao lerem A Faca Sutil. Neste segundo volume, Lyra já não é o centro das atenções. A garota continua sim desempenhando um papel importante na história, mas desta vez os holofotes estão em William Parry. Essa mecânica funciona no sentido de retirar a carga presencial de Lyra, pois em A Bússola de Ouro, a necessidade de tudo ter que acontecer envolvendo a garota, irrita em certos pontos. Will tem doze anos e vive com a mãe com problemas mentais, em Oxford. O garoto, que nunca conhecera o pai, percebe que as alucinações da mãe na verdade são acontecimentos reais, e que corre um grande perigo. Decidido a buscar tanto resposta quanto segurança, Will sai de casa e acaba encontrando uma janela para outro mundo. Ele conhece Lyra nessa cidade fantasmagórica chamada Cittagàzze.
      Neste volume, a criatividade de Pullman é muito bem explorada. Ficamos a par de uma diversidade fictícia enorme. O autor nos mostra sua habilidade de mesclar o mundo fictício e o mundo real.

“— Oxford? — exclamou ela. — É de onde eu vim!
— Então no seu mundo também existe uma Oxford? Você não veio do meu mundo.
— Não mesmo — disse ela. — São mundos diferentes. Mas no meu mundo existe uma Oxford também. Nós dois estamos falando inglês, não estamos? É óbvio que outras coisas são iguais. Como foi que você passou? Existe uma ponte, ou o quê?”

      E é este o objeto fantástico que permeia neste volume. Essas “janelas” entre mundos, não são feitas sozinhas, mas sim com a Faca Sutil. E, assim como o aletiômetro, a faca precisa de um portador, que por sinal não é ninguém menos que o nosso protagonista.

“— Escuta — disse. — Não me interrompa. Se você é o portador da faca, tem uma missão maior do que pode imaginar. Um menino... Como é que eles deixaram isso acontecer? Bem, já que tem que ser... Vem aí uma guerra, garoto. A maior que já existiu. Já aconteceu uma coisa parecida, e desta vez o lado certo tem que vencer... Durante todos os milhares de anos da história humana, só tivemos mentiras, propaganda, crueldade e hipocrisia. Está na hora de começarmos de novo, mas desta vez da maneira certa...”

      Além de toda a aventura que se segue ao longo da trama, Pullman volta novamente à questão do Pó. Não que sejam esclarecidas todas as dúvidas, mas começamos a caminhar para uma possível resposta pra todo esse mistério.

“— Como assim? Preciso saber disso, Carlo — disse a mulher, e Will sentia sua apaixonada impaciência. — Isto está no centro de tudo, essa diferença entre crianças e adultos! É onde está guardado todo o mistério do Pó!”

      E não obstante, o autor nos segreda um possível confronto entre a Igreja e a Ciência.


“Acredito que ele desistiu de uma luta contra a Igreja não porque a Igreja fosse forte demais, mas porque ela é fraca demais para valer a pena.”

terça-feira, 5 de maio de 2015

Uma Questão de Capa: A Bússola de Ouro

Vamos a mais uma seleção de capas ao redor do globo, dessa vez da obra de Philip Pullman: A Bússola de Ouro.

 

Começando pelas edições brasileiras. A primeira capa é extremamente bonita e podemos notar isso mais claramente com o livro em mãos, nos possibilitando a enxergar os detalhes das cores. A segunda capa fora a primeira publicação deste livro no Brasil. A terceira é baseada na adaptação cinematográfica e não me agrada muito (como a maioria das edições deste tipo).

 

A capa da esquerda é a capa original, britânica. E a esquerda, a capa americana. Gosto da simplicidade da britânica, mostrando apenas o aletiômetro e um jogo de cores vivas, como a brasileira, mostrando um pouco da fantasia presente no livro. A americana já é mais neutra, talvez fazendo um adendo ao norte. É interessante observar que o título original é o britânico, que numa tradução livre seria Aurora Boreal, mas veremos que poucas edições traduziram deste título, optando pela versão americana.



À esquerda temos a edição portuguesa, que manteve o padrão britânico e à direita a edição francesa que, por vez, seguiu o americano. Porém, ambas mudaram o título para Os Reinos do Norte.


Aqui temos as edições espanhola, italiana e alemã, respectivamente. Os traços infantis da espanhola acompanham toda a trilogia, formando um padrão bacana. A italiana por vez é mais neutra e a alemã não me agradou. Quanto aos títulos, apenas a edição espanhola manteve uma tradução correspondente ao título original.

     

O Japão dividiu o volume em dois, resultando nas primeiras duas capas. Já a China, optou por uma capa mais objetiva. Ambas mantiveram o título americano.

E então, quais foram suas capas preferidas? As britânica, espanhola e brasileira me agradaram bastante! Você pode conferir a resenha deste livro aqui. O Corujal recomenda essa leitura. 






terça-feira, 6 de janeiro de 2015

A Bússola de Ouro - Philip Pullman

"Esse é o dever dos velhos: ter ansiedade por causa dos jovens. E o dever dos jovens é fazer pouco caso da ansiedade dos velhos."


Título: A Bússola de Ouro

Autor: Philip Pullman

Título Original: Northern Lights

Tradução: Eliana Sabino

Série: Fronteiras do Universo

Editora: Objetiva

2013






      O abre-alas da trilogia Fronteiras do Universo de Philip Pullman nos apresenta o mundo fantástico que o autor criou. A protagonista, Lyra Belacqua, é apenas uma garota que vive na cidade universitária de Oxford, na Inglaterra. O foco principal da história é o desaparecimento constante de crianças e nossa protagonista se envolve nesse mistério quando seu melhor amigo é raptado e ela parte para ajuda-lo. Em um dado momento, ela recebe um objeto que a ajudará em sua busca: o aletiômetro (ou bússola de ouro). O raríssimo objeto é nada mais que um oráculo divinatório que não pode cair em mãos erradas.

“— O que é isso? — ela perguntou.
— É um aletiômetro. Só existem seis no mundo, Lyra. E novamente eu aviso: guarde segredo.”

      A princípio tudo é uma tremenda confusão. O autor aborda uma infinidade de assuntos que ficam em aberto por um bom tempo. E isso é bom, já que desse modo, a trama consegue te prender. Após terminar o livro, eu poderia muito bem dizer que a história do começo é completamente distinta do desfecho. O livro tem um ponto inicial linear, mas há tanta política entre religião e ciência que quando termina, parece ser uma história alternativa. Isso tudo de uma forma positiva, é claro. Lyra tem um papel muito importante na história, que vista dos primeiros capítulos, nem da pra imaginar.

“E eles falaram de uma criança como esta, que tem um grande destino que não poderá ser cumprido neste mundo, mas num lugar muito além dele. Sem esta criança, morreremos todos, é o que dizem as feiticeiras”

      Os objetos fantásticos que permeiam o enredo são o trunfo do autor, como os dimons. Os dimons! E como não cita-los? Na obra de Pullman, todos os seres humanos possuem uma materialização da própria alma que os acompanha até a morte. Essa materialização recebe o nome de dimon. Os dimons possuem formas de animais, que podem ser alteradas quando criança e fixa na fase adulta.

“Um ser humano sem dimon era como uma pessoa sem rosto, ou com as costelas à mostra e o coração arrancado: uma coisa antinatural e estranha, que pertencia ao mundo dos pesadelos noturnos, não ao desperto e racional”

      Não há limites para a imaginação do autor que conseguiu criar uma história boa com originalidade dentro da literatura fantástica. É fato que a leitura é satisfatória, mas devo confessar que me senti enganado quando terminei as últimas páginas. Pullman se sai muito bem descrevendo e resolvendo os problemas da trama principal, porém os assuntos secundários e, convenhamos mais importantes, ficam em aberto. E quando ele finalmente (nas últimas duas páginas) atribui uma explicação para a coisa mais importante do livro todo, é com incerteza. É claro que esse é apenas o primeiro volume e que, espero eu, tudo será explicado no decorrer dos outros livros, mas o autor poderia sim ter fixado tudo e ainda sim, manter o gancho para o segundo volume, como visto em A Guerra dos Tronos. Jogada de marketing ou não e mesmo caindo um pouco em meu conceito, nada não vai me impedir de terminar de ler a trilogia. Estou super ansioso para conseguir minhas respostas e que venha A Faca Sutil!