Confira resenha deste livro aqui
sábado, 20 de dezembro de 2014
quarta-feira, 17 de dezembro de 2014
A Noite dos Bruxos - Susan Claudia
“A senhora vê alguém morto e chora,
pensando que a morte é terrível. Na verdade, no entanto, a senhora está chorando
por si mesma, não pelo morto. A senhora se vê morta... no entanto, ao mesmo
tempo, está consciente do que acontecesse ao seu redor. O morto, entretanto,
não tem consciência. Assim, para o defunto, a morte não é nem um pouco
terrível. É indolor, física e mentalmente. É zero”.
Título: A Noite dos Bruxos
Autor: Susan Claudia
Título Original: Mrs. Barthelme's Madness
Tradução: Tonie Thomson
Editora: Círculo do Livro
1976
Neste romance de Susan Claudia, somos levados à Rachel
Barthelme, uma mãe de família com o casamento falido. Rachel leva uma vida
pacata. É esposa de um dos maiores empresários do país, mãe três filhos que
gosta muito, entretanto, sua vida se resume somente a isto. Como a própria
narrativa nos conta, Rachel crescera escutando “Quando você se casar, Rachel...”.
Sua vida, mesmo monótona, é normal, até então. Porém, quando esta voltando para
casa, após levar sua melhor amiga ao aeroporto, Rachel acaba envolvendo-se em
um acidente.
É Halloween e pelas redondezas, há crianças constantes
à procura de guloseimas. Rachel acaba encontrando, de maneira infortuna, um
grupo deles. Um grupo de jovens mascarados. O resultado foi atropelamento de um
garoto, que segundo Rachel, acabara morrendo. A protagonista é perseguida pelas
crianças, foge e aciona a polícia. O problema, é que os oficiais não
encontraram nenhum garoto em nenhum hospital nenhuma marca de atropelamento no
carro de Rachel e muito menos qualquer grupo de mascarados. E é neste ponto que
a trama se desenrola. O livro vai retratar a paranoia de Rachel quanto a isso,
já que ela afirma estar sendo perseguida por essas crianças.
O enredo é muito intrigante pelo fato de o leitor não
saber ao certo se Rachel está ou não indo ao delírio. Por acompanhar a
protagonista e pela escrita da autora, cremos que tudo realmente aconteceu e
que Rachel apenas não consegue expor os fatos. Por outro lado, quando todo o
resto dos envolvidos apresentam provas concretas de que a lógica de Rachel é
impossível, o leitor se contradiz.
Os planos que Rachel sempre tivera fora de se separar
do marido após os filhos irem para a faculdade, porém, com a vinda de um
terceiro filho, isso ficara fora de cogitação, condenando-a a continuar vivendo
sua vida infeliz. Isso leva seu psiquiatra a crer que isso não passa de uma
depressão pós-parto e que toda a história são alucinações que remetem ao
subconsciente de Rachel culpando sua própria filha por atrapalhar seus planos.
Ele afirma também que Rachel é perigosa para o bebê, chegando a oferecer risco
de vida.
“Não pode ter nenhum objeto agudo em casa... facas,
tesouras, lâminas... Tem medo de matar a criança.”
Claro que ao primeiro momento, isso soa ridículo,
porém, analisando as palavras da personagem páginas a trás. Nos contradizemos
novamente.
“Mas agora, como você mesma disse, eu tenho um bebê.
Adicione dezessete anos à minha sentença, até que o bebê cresça e vá para a
faculdade. Mais dezessete anos de começar o dia me amarrando na estaca e
ateando fogo à lenha sob meus pés. Isso é exatamente o que significa manter
acesa a chama do lar.”
A autora, mesmo com uma escrita simples, consegue
passar sua mensagem e o mistério nos aprisiona até o fim. Devo confessar que o
final me desapontou de um certo modo. É o típico fim adicione-aqui-o-que-achar-melhor.
É claro que isso é esplêndido, nos deixando com desfechos alternativos, porém,
na outra mão, nunca saberemos se Rachel está realmente louca ou não.
É curioso ressaltar a péssima escolha do título na
hora da tradução. O título original se enquadra
muito melhor que “A Noite dos Bruxos”, que só se adere ao Halloween. Eu acharia
muito melhor se fosse traduzido ao pé da letra mesmo “A Loucura da Sra.
Barthelme”
“Sim. Ela tem seu próprio mundo, no qual e
enclausurou. Para ela... é um lugar feliz. É onde quer estar. No nosso mundo
encontrava-se em constante angústia. As pressões a esmagavam. Agora no seu
mundo... no seu mundo particular... encontrou paz. Por que não estaria feliz?”
Tag: Palavras Cruzadas
Encontrei essa tag no site do Ben Oliveira e resolvi respondê-la aqui no blog. A tag é bem simples e consiste em quinze perguntas. Tomei a liberdade de dar uma modificada para se encaixar nos meus padrões e acabou em doze perguntas. Não sei ao certo quem criou essa tag ou se ela foi simplesmente traduzida, mas vocês podem conferir o formato original dela no site do Ben, aqui.Acho interessante a postagem de tags para divulgar as minhas impressões à respeito de minhas leituras e para criar uma prévia de vários livros simultaneamente sem ter que criar resenhas completas e muitas vezes cansativas.
Sem mais delongas, vamos às perguntas!
1- Vox Populi: Um livro que recomendaria a todo mundo
A Torre Negra vol I - O Pistoleiro de Stephen King. Esse livro é extremamente fantástico! O enredo que King cria é muito surpreendente e o modo como ele te apresenta a história não há igual. Creio que a série toda seja boa, já que é considerado por muitos a obra-prima do autor. É intrigante o fato de muita gente conhecer King por outros trabalhos, mas quando mencionada a Torre Negra as pessoas não fazem ideia do que seja. Uma pena! Ainda não terminei de ler todos os livros, mas em breve o farei e trarei as resenhas para o blog.
2- Maldito plágio!: Um livro que gostaria de ter escrito.
A Sombra do Vento de Carlos Ruiz Zafón. Escolhi outro livro fantástico, dessa vez da literatura espanhola. A escrita de Zafón é reflexiva e chega a ser poética. O Jogo do Anjo vai nos levar a um escritor e retratará a importância dos livros em nossas vidas. Deveria ser uma leitura essencial para todos os aspirantes a escritores. O livro é extremamente bem escrito com enredo incrível, personagens bem construídos e um final super perplexo. Não poderia pensar em outro livro para colocar nessa categoria, pois deve ter sido incrível escrevê-lo. O Jogo do Anjo faz parte de uma trilogia (?) junto com outras duas obras muito bem faladas do autor. Pretendo lê-las em breve e trazer uma resenha para o blog.
3- Não vale a pena derrubar árvores por isso.
Enfeitiçadas de Jessica Spotswood. Minha escolha foi o primeiro volume dessa trilogia. Não há muito o que falar desse livro, pois não há conteúdo! O enredo é fraco, os personagens superficiais e envolve um romance cansativo. Enfim, um clichê sem igual. Me senti completamente enganado quando fechei esse livro, pois a história não cumpre o que a premissa promete.
4- Não é você, sou eu!: Um livro lido na hora errada.
Dupla Falta de Lionel Shriver. Tratando-se da arte do ofício, Shriver é uma dos poucos autores que consegue se sair tão bem quando se trata de escrever. Sua escrita é uma das melhores que já vi! Mestre em tratar de temas chocantes, a autora aborda em Dupla Falta a ambição junto ao amor. O livro tem tudo para ser bom e realmente é, porém, o momento em que escolhi lê-lo não foi tão propício assim, resultando em alguns olhares tortos pra esse livro. Pretendo relê-lo num evento futuro e ver se essa opinião muda.
Confira a resenha aqui
5- Eu tentei...: Um livro que tentou ler, mas ainda não conseguiu
O Diário de Anne Frank. Esse livro também se encaixaria no quesito anterior. Livro bom, momento errado! Quando decidi ler O Diário de Anne Frank eu era pequeno, não compreendia nada do contexto, tudo era uma confusão, fiquei tentando lê-lo por um bom tempo até que não deu mais! Acabei largando-o na metade. Mesmo assim, pretendo ler este livro agora que tenho uma visão literária mais abrangente. E logo que a ler trago resenha.
6- Hã?!: Um livro que leu e não entendeu nada ou um livro com um final surpreendente.
Precisamos Falar Sobre o Kevin de Lionel Shriver. Também me senti enganado quando terminei de ler esse livro, mas desta vez, de uma forma positiva. É impossível falar sobre finais chocantes sem citar esse livro. Shriver consegue te prender até o final e quando a história se afunila, carregando-se para o desfecho, a autora consegue causar a maior sensação de choque. Não há palavra melhor. Simplesmente choque! É legal citar também, que o leitor se pega tão envolvido com a trama, com os personagens, que após fechar o livro, ele fica num estado de total paralisia. Haha! Meio que entramos naquela depressão pós-livro (?). O Joe! do Leia-me Já! me disse que o livro todo fora planejado pela autora, mas o final ficou a mercê do momento. O que faz apenas tornar a leitura mais emocionante. Uma leitura sensacional! Shriver acertou.
[Resenha em breve]
Resenha do Joe! aqui.
7- Tão bom, não foi?: Um livro que tenha devorado.
As Crônicas de Gelo e Fogo vol. I - A Guerra dos Tronos de George R. R. Martin. Me lembro de ter devorado esse livro, levando em consideração seu tamanho. Eu estava de férias, portanto tinha tempo o bastante para ler. Além do mais, a história é incrível. Martin conseguiu me prender até o fim (e que fim!!). O autor deixou um enorme gancho para o próximo volume cujo pretendo ler em breve. Incrível e super recomendado!
Confira a resenha aqui
8- Entre livros e tachos: Um personagem que gostaria que cozinhasse para você
Ok, que quesito é esse? o.o
Não consegui pensar em nenhum personagem que gostaria que cozinhasse para mim, portanto tomei a liberdade de alterar essa parte para "Lugares de livros onde você gostaria de comer". Pronto, assim fica melhor. E se tratando de comida fictícia, não poderia deixar de citar algo do Harry Potter e por que não a Honeydukes? Os doces vendidos lá devem ser fantásticos.
9- Fast Forward: Um livro que poderia ter menos páginas e não mudaria nada.
10- Às cegas: Um livro que escolheria só pelo título.
Tripulação de Esqueletos do Stephen King. O título desse livro é fantástico (a capa também.). E o conteúdo também é ótimo. É um livro de contos do Stephen. A maioria dos contos presentes me agradaram, com uma exceção ou outra. Também consta nesse livro O Nevoeiro, que já fora publicado separadamente (acredito que apenas no exterior). Também é uma ótima recomendação, inclusive, para quem nunca leu King e não quer ficar "preso" na sua enrolação, já que os contos são breves, simples e incríveis. Dando ao leitor uma familiarização com a escrita do autor, deixando-o pronto para partir para histórias maiores do mesmo.
11- O que conta é o interior: Um livro bom com capa feia.
Escolhi A Casa do André Vianco principalmente por falta de escolha. Dos livros que li que continham capas que não me agradavam, este era o mais legal, mesmo não sendo minha leitura preferida dele. Se me perguntassem, recomendaria primeiramente Sementes no Gelo. Vi que os livros dele foram relançados com capas novas, mas a deste livro em si, continua não me agradando. Em termos de conteúdo o livro é razoável, porém, com um final surpreendente. Recomendado para quem quer ler Vianco longe do vampirismo.12 - Espera aí que já lhe atendo: Um livro que esta constantemente a adiar
Eu comprei O Guardião de Memórias de Kim Edwards há muito, muito tempo e ele continua parado na minha estante. Comprei-o por impulso, nem sabendo ao certo do que se tratava e resultou nisso. Nem cheguei a tentar lê-lo. Enfim, se está comigo será lido um dia.
Bom, foi isso! Até o próximo post.
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terça-feira, 16 de dezembro de 2014
O Cálice de Fogo - J.K. Rowling
"Se você quer sabe realmente como um homem
é, olhe como ele trata seus inferiores, não seus iguais"
Título: O Cálice de Fogo
Autor: J.K. Rowling
Título Original: The Goblet of Fire
Tradução: Lia Wyler
Série: Harry Potter
Editora: Rocco
Série: Harry Potter
Editora: Rocco
2001
Eu diria que o Cálice de Fogo é o divisor de águas
nessa série, já que é neste volume que o enredo começa a se agravar e a
história deixa de ser apenas aventuras sem consequências tão influenciadoras. O
livro é marcado por eventos fantásticos que a muito não aconteciam, onde a
autora pode expandir nossa visão sobre a comunidade bruxa.
“Não se trata de como alguém nasce, mas sim de quem
ela escolhe ser.”
Logo no começo do livro, ocorre a Copa Mundial de
Quadribol, que como o nome já diz, não passa de uma copa de esporte entre
países. Porém, o que era para ser um mero torneio, acaba numa pequena
catástrofe, onde, misteriosamente, bruxos encapuzados aparecem e destroem tudo,
deixando para trás apenas um sinal no céu: A Marca Negra. Ficamos sabendo
imediatamente que se tratava dos seguidores do Voldemort, os chamados Comensais
da Morte. Esse fato levanta suspeitas e pânico, já que toda a população
acreditava que o Lorde das Trevas havia sido mesmo derrotado, levando consigo
seus seguidores. E este fato deixa uma grande incógnita: Ele voltou?
Mais adiante, em Hogwarts desta vez, acontece outro
evento mundial: O Torneio Tribruxo. Onde três escolas se reúnem para realizar o
torneio. Um aluno é escolhido de cada escola para enfrentar três tarefas, onde
um será eleito campeão. O problema é que um quarto aluno é misteriosamente
escolhido. Sim, mesmo sendo menor de idade, o nome do Harry sai do cálice e ele
é obrigado a entrar na competição. Neste ponto a história começa a ficar
diferente. Nos antecessores deste livro, Harry sempre fora visto pelos alunos
da escola (com algumas exceções), como um herói. E a partir do momento em que
ele é o escolhido, as pessoas começam a lhe olhar torto, acreditando que o
próprio Harry forjara a escolha.
Uma certa tragédia acontece nos últimos capítulos e o
único que presencia isso é o nosso protagonista. E isso reforça minha tese
sobre este livro. É a partir deste volume que a série toma um rumo mais
externo. A partir daqui, Harry terá que provar o que viu. Não só para seus
amigos, mas para a escola, para o Ministério e para toda a população. Vale
ressaltar a curiosidade também de que este é o primeiro volume onde Harry tem
um contato verdadeiro com seu inimigo e isso lhe custa bastante.
“Imagine que Voldemort retornou ao poder agora. Você
não sabe quem são seus seguidores, você não saber quem está trabalhando para
ele e quem não está; você sabe que ele pode controlar pessoas, por isso elas
fazem coisas terríveis sem serem capazes de parar. Você está com medo por você,
pela sua família e por seus amigos. Toda semana notícias chegam sobre mais
mortes, mais desaparecimentos, mais tortura. O Ministério da Magia esta uma
desordem, eles não sabem o que fazer. Estão tentando manter o sigilo dos
Trouxas, entretanto, Trouxas estão morrendo também. Terror em todo lugar...
pânico... confusão... assim que costumava ser.”
domingo, 5 de outubro de 2014
terça-feira, 30 de setembro de 2014
O Prisioneiro de Azkaban - J. K. Rowling
"Isso significa que o que você mais teme é o próprio
medo"
Título: O Prisioneiro de Azkaban
Autor: J.K. Rowling
Título Original: The Prisioner of Azkaban
Tradução: Lia Wyler
Série: Harry Potter
Editora: Rocco
Série: Harry Potter
Editora: Rocco
2000
Dando procedimento à série Harry
Potter, este volume vai continuar retratando o ano escolar em Hogwarts,
entretanto o foco do livro é completamente voltado para Sirius Black, o
assassino que extraordinariamente conseguiu escapar de Azkaban. De acordo com
os registros, Black fora responsável pelo assassinato de treze pessoas com uma
única maldição. Considerado por muitos como aliado de Voldemort, Sirius passou
doze anos em Azkaban, para depois escapar deixando apenas uma ideia de para
onde seguiria.
“Ele está em Hogwarts... Ele está em
Hogwarts”.
Um professor novo. Ronda de
dementadores. Um traidor. Um parente. Uma predição. E mais dúvidas. Será mesmo
Hogwarts segura?
“O lugar mais seguro da terra era
aquele em que Albus Dumbledore acontecesse estar”
A trama revela muitas informações do
passado dos pais do Harry e ficamos por dentro de Hogwarts em um tempo mais
antigo, na infância de James e Lily. Novos personagens são adicionados neste
livro e creio eu que este é o único volume que a narrativa não fica presa no
monótono ‘Harry-Voldemort’. Há sim ligações e explicações sobre o lorde das
trevas, mas são expressas apenas teoricamente, tornando o livro mais
alternativo e uma leitura menos repetitiva. A criatividade da autora foi
rigidamente expressa nesse volume mais que os anteriores, já que somos
apresentados a muitos elementos fantásticos: um povoado inteiramente bruxo,
onde há lojas extraordinárias, hipogrifos, animagos, criaturas especificamente
trazidas para as aulas de ‘defesa contra as artes das trevas’ e é claro Azkaban
e seus dementadores.
“A fortaleza foi construída em uma
ilhota, bem longe da costa, mas não precisão de paredes nem de água para manter
os prisioneiros confinados, não quando eles já estão presos dentro da própria
cabeça, incapazes de um único pensamento agradável. A maioria enlouquece em
poucas semanas”.
A narrativa é totalmente linear,
tudo o que a autora abre no começo se fecha no final. É surpreendentemente
revelador, de modo que após descobrir certas coisas, o leitor acaba se vendo
enganado pela autora – num aspecto positivo, é claro. Rowling mostrou um leve
amadurecimento na escrita, de modo que se consiga captar alguma mensagem mais
madura nas entrelinhas. É interessante ressaltar também, que os dementadores
que a autora criou, foram baseados no período de depressão pelo qual a mesma
passou, de modo que percebemos que não é nada mais que uma personificação da
depressão.
“Os dementadores estão entre as
criaturas mais malignas que vagam pela Terra. Infestam os lugares mais escuros
e imundos, se comprazem com a decomposição e o desespero, esgotam a paz, a
esperança e a felicidade do ar à sua volta.”
sábado, 20 de setembro de 2014
Coração Ferido - Chelsea Cain
“– Não importa o que você esteja esperando – sussurra
ela – Vai ser pior.”
Título: Coração Ferido
Autor: Chelsea Cain
Título Original: Heartsick
Tradução: Fabiano Morais da Costa
Série: Beleza Mortal
Editora: Objetiva (Suma de Letras)
Editora: Objetiva (Suma de Letras)
2007
Mesclar tortura com amor não é nem um pouco fácil e chega a soar doentio para quem lê algo assim, mas neste primeiro volume da série Beleza Mortal, vemos que, por mais que peculiar, é possível traçar um meio termo entre essas situações e que tal mistura desperta uma curiosidade grandiosa.
Nossa história
se passa em Portland, onde o detetive Archie Sheridan trabalha junto com seus
parceiros no caso do Estrangulador das Escolas, cujo não passa de um maníaco
estuprador. Junto com Archie também se envolve Susan Ward, uma repórter
responsável por fazer uma matéria sobre a vida do detetive.
Por mais que o
calor da investigação principal prenda o leitor, o ápice do livro – e da vida
de Archie – é Gretchen Lowell. A terrível psicopata que o torturou por dez
dias. Dez dias estes que com certeza demoraram o dobro dos dez anos que ele
precisou persegui-la para passar.
A questão não é
nem tanto a tortura que ficara no passado, mas sim o que Archie carregou de lá.
Junto com a cicatriz em formato de coração que Gretchen cravara no seu peito, o
detetive carregou consigo um sentimento por ela. Após aqueles dez dias, Archie
abandonara sua família e toda sua vida antiga para ficar numa depressão
pós-Gretchen.
“Percebera que chegara a ficar
alguns minutos sem pensar em Gretchen Lowell. Tinha sentido falta
daquilo.”
Viciado em remédios, Archie se vê
tão ligado à beleza mortal de Gretchen, que passa a ir visita-la em Salem todos
os domingos. É intrigante, pelo fato de Gretchen ser uma psicopata mulher e
devido isso, muitas vezes sendo alvo de subestimação pelo leitor. E por que não
ressaltar sua beleza incrível? Tornando-a uma serial killer original e
inovadora.
“É impressionante o tamanho do
horror psicopata que mora nesse corpo bonito e recatado.”
A estrutura do livro é dividia em
duas partes, a relação entre Archie e Gretchen e o caso atual. É ousado, pois
provoca a curiosidade do leitor quanto à Gretchen, mas foca no Estrangulador
das Escolas, forçando o a querer o próximo volume no mesmo instante em que se
termina o primeiro.
A escrita da
autora é simples, porém rica. Como dito anteriormente, ela consegue desenhar
uma linha tênue entre o amor e a obsessão, sem soar piegas ou insano. Também
consegue despertar uma curiosidade descomunal, as passagens de tortura, mesmo
que agonizantes, força a quem lê querer mais uma dose de Gretchen.
“E como é a dor? – Os olhos dela
brilham”
Os personagens são icônicos e bem
construídos, chegam a ser quase palpáveis. Archie é um protagonista real, com
mais defeitos que qualidades. Gretchen é doentia, porém causa interesse. Susan,
Henry e até o Estrangulador das Escolas... Tudo isso te deixará atônito.
“Quero matar você, Archie – diz ela
suavemente – Já pensei muito sobre isso. Fantasio há anos...”
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