terça-feira, 9 de setembro de 2014

Por Favor, Cuide da Mamãe - Kyung-Sook Shin

“Ainda que mamãe esteja desaparecida, o verão chegará e o outono chegará de novo e o inverno chegará, num instante. E eu estarei vivendo em um mundo sem mamãe”.






Autor: Kyung-Sook Shin

Título Original: 엄마를 부탁해

Tradução: Flávia Rössler

Editora: Intrínseca

2011






      Relações familiares são temas a serem relatados com cautela. O papel da mãe é essencial e específico, já que na maioria das vezes, serve como base para a família. A autora nos faz abrir os olhos para a importância da mãe em nossas vidas. É um livro reflexivo e que nos força a mudar o modo de pensar de um ponto de vista ético.
      O livro fala de Park So-nyo, uma coreana que ao sair do interior da Coreia do Sul para ir visitar os filhos em Seul, acaba se perdendo em uma estação de metrô e nunca mais é vista. Boa parte da estrutura do livro é construída pelas lembranças que os filhos têm com a mãe. Desde a infância ao momento em que eles tiveram que se separar. E talvez, de como eles foram ingratos com ela.
      Para nos apresentar a imagem de mamãe, a autora narra a história do ponto de vista de diferentes personagens, e assim podemos ficar à par, não apenas de Park So-nyo como mãe, mas também como esposa.
      É intrigante, pois ficamos apreensivos. O que aconteceu com mamãe? Mesmo que já tenhamos uma ideia do que possível final, nos ligamos tanto aos sentimentos das personagens, que acabamos com pena e torcendo para que eles a encontrem.
      Eu particularmente nunca havia lido um livro coreano e devo dizer que a forma de escrita que a autora possui é muito peculiar. No começo o leitor pode estranhar, mas a história é tão profunda, que tal fato fica em segundo plano.
      Creio que conseguimos nos identificar, nem que seja apenas por algumas passagens, porque Park So-nyo deu tudo por sua família, ela não tinha uma vida sem ser mãe. E talvez seja este ponto que conseguimos relacionar com nossas próprias mães, já que – mesmo que não ao extremo como Park – nossas mães dão tudo por nós.

É comovente e reflexivo, uma ótima tirada!



“A pessoa mais triste do mundo é aquela que morre fora de casa... Por favor, fique atenta e volte para casa”

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Dupla Falta - Lionel Shriver

“Qualquer derrota que se adia em vez de ser impedida adquire toda a inevitabilidade que lhe é concedida”



Título: Dupla Falta

Autor: Lionel Shriver

Título Original: Double Fault

Tradução: Débora Landsberg

Editora: Intrínseca

2011







      A ambição é um valor catastroficamente importante nas vidas das pessoas e foi esse o ponto que Shriver decidiu explorar em Dupla Falta.
      Nessa obra adentramos na vida de Willy Novinsky, uma mulher que dedicou todo o tempo de sua vida ao tênis. Para Willy, o tênis a completa. Parte disso muda quando ela conhece Eric Oberdorf, que por sinal também é um tenista – mesmo que com uma habilidade inferior à nossa protagonista. (Ou devo dizer antagonista?).

“A gente nunca se dá conta de que está sendo ‘competitivo’ quando se está vencendo”

Willy vê o aparecimento de Eric como uma dádiva. O que mais ela desejaria se não um marido que a amasse – e amasse o tênis? Entretanto, o ramo da história começa a se deteriorar quando Eric apresenta um desempenho significativo no tênis e é a partir deste ponto que Willy percebe que talvez, casar-se com um tenista não fora uma boa escolha, já que para uma mulher tão competitiva como ela, a posição no ranking tem maior importância que um encontro com Eric.

“– Não existe nenhum tenista na face da terra que não seja sensível no que diz respeito a esse número. Seria a mesma coisa que perguntar no nosso primeiro encontro quanto eu ganhou, ou se tenho AIDS.”

A competição entre os dois se intensifica e fica acirrada a cada página. Willy precisa decidir entre o tênis e seu casamento, mas como ela mesma disse, Willy é o tênis, enquanto Eric é apenas bom nisto.

“Quem está na liderança é naturalmente conservador e paranoico”

      A autora tem uma habilidade fascinante de explorar as questões que a maioria muitas vezes prefere não considerar, criando personagens icônicos e muito bem construídos, como em “Precisamos Falar Sobre o Kevin”. Shriver consegue moldar tão bem a narrativa à sua vontade, que é possível amar e detestar seus personagens.       Temos um aprofundamento rápido sobre o tênis, conhecendo um pouco a respeito desse esporte.
      A escrita de Shriver é filosófica e muito bem trabalhada. Os parágrafos são tão bem escritos, que muitas vezes queremos lê-los inúmeras vezes. Ela consegue promover a reflexão e nos obriga a pensar, muitas vezes mudando nossa visão ética.  Não acho que esse seja o melhor trabalho dela, já que “Precisamos Falar Sobre o Kevin” foi esplêndido. Não que o livro seja ruim, mas se observado da perspectiva de comparação com “Precisamos Falar Sobre o Kevin” não há Willy Novinsky perto de Eva Katchadorian.

“Simpatize com o adversário e, antes que você perceba, ele estará com pena de você



sábado, 9 de agosto de 2014

A Câmara Secreta - J.K. Rowling

“São as nossas escolhas, Harry, que revelam quem realmente somos, muito mais do que as nossas qualidades”



Título: A Câmara Secreta

Autor: J.K. Rowling

Título Original: The Chamber of Secrets

Tradução: Lia Wyler

Série: Harry Potter

Editora: Rocco

2000




      A Câmara Secreta em suma retrata o segundo ano de Harry em Hogwarts. Logo nos primeiros capítulos, o bruxo recebe uma visita inesperada e um aviso perturbador: Um elfo doméstico aparece em seu quarto na casa dos Dursley dizendo que retornar a Hogwarts é um erro e estará correndo grande perigo se o fizer. Como por característica, Harry ignora o aviso e – de uma maneira excêntrica – volta a Hogwarts.  Para o azar de Harry, Dobby – o elfo – estava certo. Hogwarts esta sendo atormentada por algo ou alguém que vem atacando alguns nascidos-trouxas da escola. A explicação por trás dos ataques é nada mais que o “mito” da câmara secreta, que supostamente viria a ser o lar de uma criatura – cujo seria controlado apenas pelo herdeiro de Salazar Slytherin – para que quando chegasse a hora, extinguisse os sangues-ruins da escola.  

“A câmara secreta foi aberta, inimigos do herdeiro... CUIDADO!”

      Com um leve toque de investigação, o livro em si proporciona entretenimento de qualidade. Ataque atrás de ataque, Harry como principal suspeita, criaturas colossais, poções complexas, entre tantos outros elementos fantásticos. Neste livro, teremos um aprofundamento sobre o passado de Voldemort e de Hagrid, uma breve explicação sobre os fundadores de Hogwarts e mais uma vez, uma descoberta sobre a vida do protagonista.

“Olá, Harry Potter. Meu nome é Tom Riddle...”

      O livro intriga e causa curiosidade pelo fato de o tal falado herdeiro, permanecer como incógnita até os últimos capítulos. Vale ressaltar que a escrita da autora já amadureceu em termos da pedra filosofal para cá, já que o livro é direcionado para crianças.

“Venha... Venha para mim... Deixe-me rasgá-lo... Deixe-me rasgá-lo... Deixe-me matá-lo”.

      O desfecho desse volume não poderia ser melhor e acredito eu, que quem nunca assistiu Harry Potter, não fará ideia de quem está por trás dos ataques como intermediário. Tem um toque de humor que tira a tensão do mistério e isso apenas soma pontos para a obra. Na minha visão, poderia ter tido um aprofundamento maior se tratando da história dos fundadores da escola, mas continua sendo uma boa recomendação!


“No entanto – disse Dumbledore – Você descobrirá que só terei deixado a escola quando ninguém mais aqui for leal a mim. Você também vai descobrir que Hogwarts sempre ajudará aqueles que a ela recorrerem.”

 

domingo, 3 de agosto de 2014

Joanne Kathleen Rowling



Nascida em 1965 em Yate, Inglaterra, Joanne Rowling foi a primeira autora a se tornar bilionária na história.
      Rowling estudou em Exeter University, cursando francês e outras línguas. Após o término do curso, trabalhou em Londres como secretária e outros empregos aleatórios, mas a criadora de Hogwarts sempre soube que tinha vocação para escrever. Joanne sempre fora muito próxima à mãe e devido isto, foi mais que uma má notícia quando descobriu que sua mãe sofria de esclerose múltipla.
Um atraso na viagem de trem de Manchester com destino a Londres rendeu à Rowling a história de Harry Potter. Seis meses depois, a mãe de Joanne faleceu e ela decidiu aceitar uma proposta de emprego em Portugal, como professora de inglês. Ela casou-se com o português Jorge Arantes e teve sua filha Jessica. Quando mencionado, Joanne diz que o primeiro casamento fora violento e bruto, o que nos leva a crer que ela sofreu violência doméstica. Após deixar Arantes, Joanne se mudou para Edimburgo na Escócia para ficar próxima da irmã Dianne, onde A Pedra Filosofal fora finalmente concluída e publicada pela Bloomsbury em 1997
      Em entrevista com Oprah, Rowling disse que a ideia de Harry Potter lhe surgiu com uma única frase “garoto não sabe que é bruxo e esta indo para a escola de bruxaria”. E segundo ela, era o que precisava para começar a escrever os livros.
      A pedido da editora, Joanne teve que adicionar o nome Kathleen – de sua avó paterna – pois eles achavam que se tratando de um livro para garotos, não venderia se o público soubesse que fosse escrito por uma mulher. Sendo assim, a abreviação J.K. surgiu, mas não tardou para os fãs descobrirem que se tratava de uma mulher.

Além da série Harry Potter, Rowling escreveu três “spin-offs” da série, sendo estes “Os Contos de Beedle, o bardo”, “Animais Fantásticos e Onde Habitam” e “Quadribol Através dos Séculos”. Também fora publicado Morte Súbita, o primeiro romance para adultos. Sob o pseudônimo de Robert Galbraith, Jo publicou dois volumes da série Cormoran Strike, que provavelmente será maior que a série Harry Potter. Também está escrevendo o roteiro para Animais Fantásticos e Onde Havitam, que será dividido em três filmes e tem previsão de lançamento para 2016. Rowling mora em Edimburgo com seu atual marido Neil Murray e seus três filhos.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Um Estudo em Vermelho - Arthur Conan Doyle

“Se não fosse por você, não teria saído de casa e teria perdido o estudo mais sofisticado que já encontrei: um estudo em vermelho, hein? O fio vermelho do assassinato corre pela trama sem cor da vida, e nosso dever é desvendá-lo, isolá-lo e expor cada um dos seus milímetros.”



Título: Um Estudo em Vermelho

Autor: Arthur Conan Doyle

Título Original: A Study in Scarlet

Tradutor: Rosaura Eichenberg

Editora: L&PM

1998

      



      O primeiro livro publicado por Arthur Conan Doyle tem um papel muito importante no currículo do escritor que ficou conhecido pelo mundo todo como o criador de Sherlock Holmes. O fato é que Um Estudo em Vermelho foi o primeiro livro publicado pelo autor e também é a primeira aparição do detetive mais famoso de todos os tempos.

“Você transformou a atividade de detetive numa ciência quase exata de um modo que jamais será igualada nesse mundo.”

      O livro em si trata de um assassinato de um homem que é encontrado morto em uma casa inabitada. Sem ferimentos, sem evidências de como morreu. A única pista que a polícia tem são as manchas de sangue – que não são da vítima – por todo o cômodo, uma aliança e a palavra RACHE escrita com sangue na parede. A polícia local acaba tendo dificuldades para resolver o crime, e quem melhor para fazer esse serviço se não o Sr. Holmes?
      A história é dividia em duas partes: A primeira é escrita em primeira pessoa, pelo Dr. John H. Watson – um ex-membro do departamento médico do exército que, devido aos ferimentos adquiridos em uma guerra, teve que ser despachado para Inglaterra para se recuperar. Watson precisava arrumar uma moradia mais barata, já que o dinheiro estava se esvaindo. Ele se encontra com um velho amigo que diz que conhece um sujeito que precisava dividir um apartamento pelos mesmos motivos do doutor. Sem pensar duas vezes, Watson agarra a oportunidade e aceita dividir a moradia com o misterioso Sherlock Holmes. A trama se desenrola a partir do ponto que Watson descobre que Holmes é detetive e então embarca com ele na investigação do crime.

“Há um mistério nesse caso que estimula a imaginação. Onde não há imaginação, não há horror.”
     
       A segunda parte trata da história do assassino e do por que de ele ter cometido tal ato. Doyle fez um trabalho brilhante mostrando os dois lados da moeda, de modo que cabe a você julgar o assassino, já que ele teve um motivo para tal.
      O livro é curto e a leitura rápida. A história é genialmente calculada, já que tudo que se abre no começo se fecha no fim. Doyle tem uma escrita simples, mas muito bem feita. Na segunda parte o autor te obriga a ver o crime da perspectiva do criminoso, de modo que você se pega curioso e ansioso para saber o que vai acontecer a ele.
      Preciso dizer que me decepcionei um pouco quando li o verdadeiro motivo do crime. A narrativa é tão intrigante e cheia de mistério, que minhas expectativas acabaram sendo maiores que a revelação em si, mas nada ao extremo. O livro é excelente!
      É um clássico da literatura policial e um ótimo livro para quem procura uma investigação intrigante. Vale ressaltar que esta é a primeira aparição de Sherlock – o detetive icônico e convencido. Você fica por dentro de como ele se encontrou com Watson e de como ele resolveu o estudo em vermelho.


“Se um fato parece se opor a uma cadeia de deduções, ele invariavelmente prova ser capaz de ter outra interpretação.”