domingo, 5 de outubro de 2014
terça-feira, 30 de setembro de 2014
O Prisioneiro de Azkaban - J. K. Rowling
"Isso significa que o que você mais teme é o próprio
medo"
Título: O Prisioneiro de Azkaban
Autor: J.K. Rowling
Título Original: The Prisioner of Azkaban
Tradução: Lia Wyler
Série: Harry Potter
Editora: Rocco
Série: Harry Potter
Editora: Rocco
2000
Dando procedimento à série Harry
Potter, este volume vai continuar retratando o ano escolar em Hogwarts,
entretanto o foco do livro é completamente voltado para Sirius Black, o
assassino que extraordinariamente conseguiu escapar de Azkaban. De acordo com
os registros, Black fora responsável pelo assassinato de treze pessoas com uma
única maldição. Considerado por muitos como aliado de Voldemort, Sirius passou
doze anos em Azkaban, para depois escapar deixando apenas uma ideia de para
onde seguiria.
“Ele está em Hogwarts... Ele está em
Hogwarts”.
Um professor novo. Ronda de
dementadores. Um traidor. Um parente. Uma predição. E mais dúvidas. Será mesmo
Hogwarts segura?
“O lugar mais seguro da terra era
aquele em que Albus Dumbledore acontecesse estar”
A trama revela muitas informações do
passado dos pais do Harry e ficamos por dentro de Hogwarts em um tempo mais
antigo, na infância de James e Lily. Novos personagens são adicionados neste
livro e creio eu que este é o único volume que a narrativa não fica presa no
monótono ‘Harry-Voldemort’. Há sim ligações e explicações sobre o lorde das
trevas, mas são expressas apenas teoricamente, tornando o livro mais
alternativo e uma leitura menos repetitiva. A criatividade da autora foi
rigidamente expressa nesse volume mais que os anteriores, já que somos
apresentados a muitos elementos fantásticos: um povoado inteiramente bruxo,
onde há lojas extraordinárias, hipogrifos, animagos, criaturas especificamente
trazidas para as aulas de ‘defesa contra as artes das trevas’ e é claro Azkaban
e seus dementadores.
“A fortaleza foi construída em uma
ilhota, bem longe da costa, mas não precisão de paredes nem de água para manter
os prisioneiros confinados, não quando eles já estão presos dentro da própria
cabeça, incapazes de um único pensamento agradável. A maioria enlouquece em
poucas semanas”.
A narrativa é totalmente linear,
tudo o que a autora abre no começo se fecha no final. É surpreendentemente
revelador, de modo que após descobrir certas coisas, o leitor acaba se vendo
enganado pela autora – num aspecto positivo, é claro. Rowling mostrou um leve
amadurecimento na escrita, de modo que se consiga captar alguma mensagem mais
madura nas entrelinhas. É interessante ressaltar também, que os dementadores
que a autora criou, foram baseados no período de depressão pelo qual a mesma
passou, de modo que percebemos que não é nada mais que uma personificação da
depressão.
“Os dementadores estão entre as
criaturas mais malignas que vagam pela Terra. Infestam os lugares mais escuros
e imundos, se comprazem com a decomposição e o desespero, esgotam a paz, a
esperança e a felicidade do ar à sua volta.”
sábado, 20 de setembro de 2014
Coração Ferido - Chelsea Cain
“– Não importa o que você esteja esperando – sussurra
ela – Vai ser pior.”
Título: Coração Ferido
Autor: Chelsea Cain
Título Original: Heartsick
Tradução: Fabiano Morais da Costa
Série: Beleza Mortal
Editora: Objetiva (Suma de Letras)
Editora: Objetiva (Suma de Letras)
2007
Mesclar tortura com amor não é nem um pouco fácil e chega a soar doentio para quem lê algo assim, mas neste primeiro volume da série Beleza Mortal, vemos que, por mais que peculiar, é possível traçar um meio termo entre essas situações e que tal mistura desperta uma curiosidade grandiosa.
Nossa história
se passa em Portland, onde o detetive Archie Sheridan trabalha junto com seus
parceiros no caso do Estrangulador das Escolas, cujo não passa de um maníaco
estuprador. Junto com Archie também se envolve Susan Ward, uma repórter
responsável por fazer uma matéria sobre a vida do detetive.
Por mais que o
calor da investigação principal prenda o leitor, o ápice do livro – e da vida
de Archie – é Gretchen Lowell. A terrível psicopata que o torturou por dez
dias. Dez dias estes que com certeza demoraram o dobro dos dez anos que ele
precisou persegui-la para passar.
A questão não é
nem tanto a tortura que ficara no passado, mas sim o que Archie carregou de lá.
Junto com a cicatriz em formato de coração que Gretchen cravara no seu peito, o
detetive carregou consigo um sentimento por ela. Após aqueles dez dias, Archie
abandonara sua família e toda sua vida antiga para ficar numa depressão
pós-Gretchen.
“Percebera que chegara a ficar
alguns minutos sem pensar em Gretchen Lowell. Tinha sentido falta
daquilo.”
Viciado em remédios, Archie se vê
tão ligado à beleza mortal de Gretchen, que passa a ir visita-la em Salem todos
os domingos. É intrigante, pelo fato de Gretchen ser uma psicopata mulher e
devido isso, muitas vezes sendo alvo de subestimação pelo leitor. E por que não
ressaltar sua beleza incrível? Tornando-a uma serial killer original e
inovadora.
“É impressionante o tamanho do
horror psicopata que mora nesse corpo bonito e recatado.”
A estrutura do livro é dividia em
duas partes, a relação entre Archie e Gretchen e o caso atual. É ousado, pois
provoca a curiosidade do leitor quanto à Gretchen, mas foca no Estrangulador
das Escolas, forçando o a querer o próximo volume no mesmo instante em que se
termina o primeiro.
A escrita da
autora é simples, porém rica. Como dito anteriormente, ela consegue desenhar
uma linha tênue entre o amor e a obsessão, sem soar piegas ou insano. Também
consegue despertar uma curiosidade descomunal, as passagens de tortura, mesmo
que agonizantes, força a quem lê querer mais uma dose de Gretchen.
“E como é a dor? – Os olhos dela
brilham”
Os personagens são icônicos e bem
construídos, chegam a ser quase palpáveis. Archie é um protagonista real, com
mais defeitos que qualidades. Gretchen é doentia, porém causa interesse. Susan,
Henry e até o Estrangulador das Escolas... Tudo isso te deixará atônito.
“Quero matar você, Archie – diz ela
suavemente – Já pensei muito sobre isso. Fantasio há anos...”
terça-feira, 9 de setembro de 2014
Por Favor, Cuide da Mamãe - Kyung-Sook Shin
“Ainda que mamãe esteja desaparecida, o verão chegará e o
outono chegará de novo e o inverno chegará, num instante. E eu estarei vivendo
em um mundo sem mamãe”.
Autor: Kyung-Sook Shin
Título Original: 엄마를 부탁해
Tradução: Flávia Rössler
Editora: Intrínseca
Editora: Intrínseca
2011
Relações familiares são temas a
serem relatados com cautela. O papel da mãe é essencial e específico, já que na
maioria das vezes, serve como base para a família. A autora nos faz abrir os
olhos para a importância da mãe em nossas vidas. É um livro reflexivo e que nos
força a mudar o modo de pensar de um ponto de vista ético.
O livro fala de
Park So-nyo, uma coreana que ao sair do interior da Coreia do Sul para ir
visitar os filhos em Seul, acaba se perdendo em uma estação de metrô e nunca
mais é vista. Boa parte da estrutura do livro é construída pelas lembranças que
os filhos têm com a mãe. Desde a infância ao momento em que eles tiveram que se
separar. E talvez, de como eles foram ingratos com ela.
Para nos
apresentar a imagem de mamãe, a autora narra a história do ponto de vista de
diferentes personagens, e assim podemos ficar à par, não apenas de Park So-nyo
como mãe, mas também como esposa.
É intrigante,
pois ficamos apreensivos. O que aconteceu com mamãe? Mesmo que já tenhamos uma
ideia do que possível final, nos ligamos tanto aos sentimentos das personagens,
que acabamos com pena e torcendo para que eles a encontrem.
Eu
particularmente nunca havia lido um livro coreano e devo dizer que a forma de
escrita que a autora possui é muito peculiar. No começo o leitor pode
estranhar, mas a história é tão profunda, que tal fato fica em segundo plano.
Creio que
conseguimos nos identificar, nem que seja apenas por algumas passagens, porque
Park So-nyo deu tudo por sua família, ela não tinha uma vida sem ser mãe. E
talvez seja este ponto que conseguimos relacionar com nossas próprias mães, já
que – mesmo que não ao extremo como Park – nossas mães dão tudo por nós.
É comovente e reflexivo, uma ótima
tirada!
“A pessoa mais triste do mundo é
aquela que morre fora de casa... Por favor, fique atenta e volte para casa”
quinta-feira, 28 de agosto de 2014
terça-feira, 26 de agosto de 2014
Dupla Falta - Lionel Shriver
“Qualquer derrota que se adia em vez de ser impedida
adquire toda a inevitabilidade que lhe é concedida”
Título: Dupla Falta
Autor: Lionel Shriver
Título Original: Double Fault
Tradução: Débora Landsberg
Editora: Intrínseca
Editora: Intrínseca
2011
A ambição é um valor catastroficamente importante nas vidas das pessoas e foi esse o ponto que Shriver decidiu explorar em Dupla Falta.
Nessa obra
adentramos na vida de Willy Novinsky, uma mulher que dedicou todo o tempo de
sua vida ao tênis. Para Willy, o tênis a completa. Parte disso muda quando ela
conhece Eric Oberdorf, que por sinal também é um tenista – mesmo que com uma
habilidade inferior à nossa protagonista. (Ou devo dizer antagonista?).
“A gente nunca se dá conta de que
está sendo ‘competitivo’ quando se está vencendo”
Willy vê o aparecimento de Eric como
uma dádiva. O que mais ela desejaria se não um marido que a amasse – e amasse o
tênis? Entretanto, o ramo da história começa a se deteriorar quando Eric
apresenta um desempenho significativo no tênis e é a partir deste ponto que
Willy percebe que talvez, casar-se com um tenista não fora uma boa escolha, já
que para uma mulher tão competitiva como ela, a posição no ranking tem maior
importância que um encontro com Eric.
“– Não existe nenhum tenista na face
da terra que não seja sensível no que diz respeito a esse número. Seria a mesma
coisa que perguntar no nosso primeiro encontro quanto eu ganhou, ou se tenho
AIDS.”
A competição entre os dois se
intensifica e fica acirrada a cada página. Willy precisa decidir entre o tênis
e seu casamento, mas como ela mesma disse, Willy é o tênis, enquanto Eric é
apenas bom nisto.
“Quem está na liderança é
naturalmente conservador e paranoico”
A autora tem uma habilidade
fascinante de explorar as questões que a maioria muitas vezes prefere não
considerar, criando personagens icônicos e muito bem construídos, como em
“Precisamos Falar Sobre o Kevin”. Shriver consegue moldar tão bem a narrativa à
sua vontade, que é possível amar e detestar seus personagens.
Temos um aprofundamento rápido sobre o tênis, conhecendo um pouco a
respeito desse esporte.
A escrita de
Shriver é filosófica e muito bem trabalhada. Os parágrafos são tão bem
escritos, que muitas vezes queremos lê-los inúmeras vezes. Ela consegue
promover a reflexão e nos obriga a pensar, muitas vezes mudando nossa visão
ética. Não acho que esse
seja o melhor trabalho dela, já que “Precisamos Falar Sobre o Kevin” foi
esplêndido. Não que o livro seja ruim, mas se observado da perspectiva de
comparação com “Precisamos Falar Sobre o Kevin” não há Willy Novinsky perto de
Eva Katchadorian.
“Simpatize com o adversário e, antes
que você perceba, ele estará com pena de você”
sábado, 9 de agosto de 2014
A Câmara Secreta - J.K. Rowling
“São as nossas escolhas, Harry, que revelam quem realmente
somos, muito mais do que as nossas qualidades”
Título: A Câmara Secreta
Autor: J.K. Rowling
Título Original: The Chamber of Secrets
Tradução: Lia Wyler
Série: Harry Potter
Editora: Rocco
Série: Harry Potter
Editora: Rocco
2000
A Câmara Secreta em suma retrata o
segundo ano de Harry em Hogwarts. Logo nos primeiros capítulos, o bruxo recebe
uma visita inesperada e um aviso perturbador: Um elfo doméstico aparece em seu
quarto na casa dos Dursley dizendo que retornar a Hogwarts é um erro e estará
correndo grande perigo se o fizer. Como por característica, Harry ignora o
aviso e – de uma maneira excêntrica – volta a Hogwarts. Para o azar de
Harry, Dobby – o elfo – estava certo. Hogwarts esta sendo atormentada por algo ou
alguém que vem atacando alguns nascidos-trouxas da escola. A explicação por
trás dos ataques é nada mais que o “mito” da câmara secreta, que supostamente
viria a ser o lar de uma criatura – cujo seria controlado apenas pelo herdeiro
de Salazar Slytherin – para que quando chegasse a hora, extinguisse os
sangues-ruins da escola.
“A câmara secreta foi aberta,
inimigos do herdeiro... CUIDADO!”
Com um leve toque de investigação, o
livro em si proporciona entretenimento de qualidade. Ataque atrás de ataque,
Harry como principal suspeita, criaturas colossais, poções complexas, entre
tantos outros elementos fantásticos. Neste livro, teremos um aprofundamento
sobre o passado de Voldemort e de Hagrid, uma breve explicação sobre os
fundadores de Hogwarts e mais uma vez, uma descoberta sobre a vida do
protagonista.
“Olá, Harry Potter. Meu nome é Tom
Riddle...”
O livro intriga e causa curiosidade
pelo fato de o tal falado herdeiro, permanecer como incógnita até os últimos
capítulos. Vale ressaltar que a escrita da autora já amadureceu em termos da pedra filosofal para cá, já que o livro é direcionado
para crianças.
“Venha... Venha para mim... Deixe-me
rasgá-lo... Deixe-me rasgá-lo... Deixe-me matá-lo”.
O desfecho desse volume não poderia
ser melhor e acredito eu, que quem nunca assistiu Harry Potter, não fará ideia
de quem está por trás dos ataques como intermediário. Tem um toque de humor que
tira a tensão do mistério e isso apenas soma pontos para a obra. Na minha
visão, poderia ter tido um aprofundamento maior se tratando da história dos fundadores
da escola, mas continua sendo uma boa recomendação!
“No entanto – disse Dumbledore –
Você descobrirá que só terei deixado a escola quando ninguém mais aqui for leal
a mim. Você também vai descobrir que Hogwarts sempre ajudará aqueles que a ela recorrerem.”
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