sábado, 21 de março de 2015

Grande Irmão - Lionel Shriver

"Mas algo tão insignificante quanto a gratidão pela competência do cérebro humano na realização de tarefas múltiplas, durante 99,9% do tempo, nunca seria o bastante para Edison, para quem a trama sempre tinha que vir em letras grandes.





Título: Grande Irmão

 Autor: Lionel Shriver 

Título Original: Big Brother 

Tradução: Vera Ribeiro

Editora: Intrínseca

2013




      Não é surpresa pra ninguém que Lionel Shriver é polêmica e surpreendente quando se trata de escrever livros. A autora consegue traçar uma linha realista em suas obras e sempre prefere os aspectos humanos (que nunca é abordado nos demais livros) às premissas perfeitas presentes na grande maioria.
      Em Grande Irmão, somos levados à Pandora Halfdanarson, que mesmo não sendo o foco da obra, é a protagonista. Pandora, empreendedora muito bem sucedida, leva uma vida comum com seu marido e enteados no Iowa. Logo no primeiro capítulo, Pandora recebe um telefonema de um dos amigos do irmão, Edison, que pede ajuda em relação ao irmão. Intrigada com aquilo, Pandora envia uma passagem para que Edison venha até o Iowa para passar um tempo com sua família. Com exceção, é claro, dos 100 kg a mais que o irmão adquirira, Pandora não vê nada a mais no pianista de jazz falido.
      O surpreendente é que em dado momento do livro, Pandora decide que irá ajudar o irmão a emagrecer e isso não muda mesmo quando o marido coloca o casamento em jogo. Determinada a ajudar o irmão e em adição a isso, perder alguns quilos que também tinha, a protagonista se muda de casa e passa a morar com Edison, seu irmão e parceiro de dieta.

“Enquanto nos afastávamos, pensei na disparidade: Edison estava apostando o orgulho, Fletcher estava apostando um bolo e eu estava apostando meu casamento.”

      Chega a ser cômico o modo como a autora relaciona tudo à comida e pode soar tosco dizer que tudo gira em torno dela, mas é verdade, e Shriver lhe provará isso.

“Meu paladar ficou mais amplo na idade adulta, mas não o meu caráter. Sou como o arroz branco. Sempre existi para dar destaque a pratos mais empolgantes. Fui um complemento quando menina. Sou um complemento agora.”

      O livro se divide em três partes 1- Mais: focado em como Edison está gordo. 2- Menos: focado na dieta dupla. 3- Fora: Bem...
      Devo confessar que a raiva tomou conta de mim nos penúltimos capítulos, mas quando finalmente fechei o livro, não consegui distinguir qual fora sentimento que o fim me causou. Só consegui concluir uma coisa: Shriver não cria personagens para serem adorados nem para gostarmos, ela simplesmente não cria personagens. Fora essa a impressão que tive, pois a autora consegue criar um enredo tão realista, que é inevitável identificar-se com algum personagem. O desfecho, por mais que bombástico, é humano. E creio que este seja o principal trunfo da autora.
      O primeiro livro que li desta autora foi Precisamos Falar Sobre o Kevin que, de longe, foi uma das melhores leituras da minha vida. No embalo, li Dupla Falta, que entrou para os piores. Como ultimato, li Grande Irmão, para decidir minha posição de vez e fico feliz em saber que Dupla Falta fora apenas um equívoco e que a habilidade de mestre da autora vista em Precisamos Falar Sobre o Kevin é visto novamente em Grande Irmão.


“Só em retrospectiva reconheço que essa questão de ‘fazer a sua parte’ é um erro letal de compreensão da natureza dos laços familiares.”

sexta-feira, 13 de março de 2015

Tag: Liebster Award Tag


Apesar do hiato que se seguiu no blog, a atividade continua. Recentemente o Joe do Leia-me Já! Respondeu à uma tag e indicou-me para fazer o mesmo. Trata-se da Liebster Award Tag, cujas regras são:

- Escrever onze fatos sobre você
- Responder as perguntas de quem te tagueou
- Indicar de onze a vinte blogs e criar onze perguntas para estes
- Inserir no post uma imagem do selo Liebster Award
- Linkar de volta quem te indicou

Como Joe deixou a tag livre para alterações, também pularei a parte dos fatos pessoais, deixando igualmente em aberto para quem for indicado.

P.s.: Você pode conferir o post do Leia-me Já! Aqui
Sem mais, vamos às perguntas:

1- Qual o livro que te fez se apaixonar pela literatura?
Bom, eu sempre gostei de ler, mas nunca considerei a leitura como algo necessário no cotidiano. Isso passou a mudar quando comecei a ler – mesmo a versão traduzida – de Harry Potter, mas foi apenas com A Torre Negra – O Pistoleiro de Stephen King que minha ideia limitada sobre livros mudou de vez. É claro que mais tarde vários autores me marcaram, como Martin e Shriver, mas foram as escritas de Rowling e de King que me mostraram um universo totalmente novo, cujo aderi a minha vida pessoal (e quem sabe profissional).

2- Descreva-se com o título de um livro
Que complicado! O Apanhador de Sonhos

3- Qual o seu personagem preferido? E o que você aprendeu com ele/ela?
É complicado escolher apenas um, aprendemos tantas coisas com tantos personagens. Com David Martín, aprendi a importância da arte da escrita. Com Dumbledore, que a força se curva à sabedoria. Com Willy Novinsky, que há sempre algo em jogo. Com Park So-Nyo, a importância de uma figura materna. E uma infinidade de outros...

4 – Qual o gênero literário mais subestimado? E o mais superestimado?
Quando se trata de gêneros literários, tento analisar tudo com um olhar imparcial, mas é fato que sempre há um ou outro que torcemos o nariz, e no meu caso é o chick-lit ou qualquer romance melosamente levado ao extremo. Por outro lado, qualquer ficção fantástica terá vez nas minhas leituras.

5- Complete a frase “Através do meu blog eu espero...”
... a princípio refletir e compartilhar sobre minhas leituras e experiências literárias, mas também compartilhar curiosidades sobre livros e o universo literário em si.

6- Qual crossover literário você gostaria que acontecesse?
Tomei a liberdade de modificar esta pergunta. Crossover seria a mistura de livros e/ou personagens distintos numa mesma história. Realmente não consegui imaginar nenhum crossover que soasse interessante e não estranho, de modo que resolvi mesclar autores com livros alheios. E apesar da hipótese cômica que seria de: George Martin escrevendo A Torre Negra, Carlos Ruiz Zafón opinando em Dragões de Éter, eu aprovaria a ideia de ver a acidez da escrita madura de Lionel Shriver em um YA como Harry Potter.

7- Se pudesse, qual livro desleria? (desleria: se pudesse voltar no tempo, não leria).
Creio que ainda não cheguei ao ponto de ficar com raiva de ter lido um livro por não gostar dele e desler um livro me soa crítico demais. Sempre podemos absorver algo deles e as experiências ruins servem para evidenciar as boas. É claro que há leituras que não gostamos, e entre essas, eu destacaria: Enfeitiçadas de Jessica Spotswood e Dupla Falta de Lionel Shriver.

8- Qual leitura foi a mais difícil para ti? Justifique
A Sombra do Vento de Carlos Ruiz Zafón foi tão difícil que ainda não consegui terminar, me levando a colocar o livro de lado e continuar num outro tempo. Não que o livro seja gigante ou a leitura seja ruim, muito pelo contrário, eu estava gostando muito! Porém, por consequência de terceiros, se tornou uma leitura “picada”, o que acabou me desanimando, fazendo-me adiar o término. Demorei muito tempo para chegar à metade do livro e quando vi que a narrativa já estava se tornando confusa para mim, resolvi parar, ler outra coisa e depois retornar.

9- Qual livro você gostaria de ver adaptado para o cinema?
Uma versão decente de A Bússola de Ouro e a continuação da trilogia. Seria muito interessante ver também os romances policiais de Chelsea Cain.

10- Indique três leituras indispensáveis. Apenas três!
Apenas três? Que difícil!
- Precisamos Falar sobre o Kevin – Lionel Shriver
- A Guerra dos Tronos – George R.R. Martin
- O Pistoleiro – Stephen King

11- No que seu blog contribuiu para sua formação enquanto leitor?
Além de servir como um diário de leitura, o blog vem contribuindo para uma reflexão de gêneros literários, me ajudando conhecer mais autores e títulos e é claro, incentivando a leitura sempre!

Blogs Indicados:

Perguntas a serem respondias
1. O que o motivou a fazer um blog/vlog?
2. Se pudesse ficar frente a frente com um personagem, qual seria?
3. Qual seria sua solução para um final que você não tenha gostado?
4. Se tivesse que escolher um livro para viver eternamente, qual escolheria?
5. Já comprou um livro devido à capa e após lê-lo se arrependeu? Qual?
6. O que você espera do seu blog/vlog?
7. Se tivesse que escolher apenas um autor para ler eternamente, qual seria?
8. Loja física ou virtual? Sebo ou livrarias?
9. Qual o livro que mais te decepcionou?
10. Que livro que, enquanto lia, não via a hora de chegar ao fim?
11. Com que autor você estabelece uma relação de amor e ódio?


quinta-feira, 12 de março de 2015

A Cabana - William P. Young

"Se você odiar esta história, desculpe, ela não foi escrita para você"






Título: A Cabana

 Autor: William P. Young 

Título Original: The Shack 

Tradução: Alves Calado

Editora: Sextante 

2008







      Religião é um tema delicado para ser discutido e não me surpreendi quando soube que a intenção inicial do autor não era publicar o livro, mas sim distribuir quinze cópias para amigos e parentes. Pelo incentivo dos mesmos amigos, William P. Young deu chance para a publicação de sua obra por uma pequena editora dos Estados Unidos.       Como um livro de publicação pequena, tratando de um tema tão polêmico tornou-se um best-seller mundial? A resposta, você encontrará apenas na cabana.

“A história que você vai ler é resultado de uma luta minha e do Mack, que durou meses, para colocar em palavras o que ele viveu. Tem um lado um pouco... digamos, muito fantástico. Não vou julgar se algumas partes são verdadeiras ou não. Prefiro dizer que, mesmo que algumas coisas não possam ser cientificamente provadas, talvez sejam verdadeiras.”

      Em A Cabana, somos apresentados a Mackenzie Allen Phillips e sua família. Mesmo com os traumas familiares vividos no passado, Mackenzie – ou Mack – trata seus filhos e esposa com todo amor e carinho. Mack e seus três filhos, Josh, Kate e a caçula Missy, resolvem fazer uma viagem de fim de semana para um acampamento, que mesmo sem saber, marcaria a vida da família pra sempre. Durante um ocorrido, onde Mack teve que ajudar Josh e Kate, Missy, sua filha caçula, é raptada por um maníaco. Inicia-se então uma investigação em busca de Missy e embora o empenho desesperador do pai à procura de Missy seja comovente, eles não podem evitar os fatos. Missy fora assassinada. Assassinada em uma velha cabana

“Se Deus é tão poderoso, por que não faz nada para amenizar o nosso sofrimento?”

      Três anos se passam. Três duros anos com a Grande Tristeza rondando a família. Certo dia, em busca da correspondência, Mack encontra um bilhete o convidando a voltar à cabana. Como se não fosse o bastante, o bilhete fora escrito por ninguém menos que Deus.

“Será que Deus escreve bilhetes? E por que na cabanaícone de sua dor mais profunda? Certamente Deus teria lugares melhores onde se encontrar com ele.”

      A narrativa é flexível e surpreendente. Diferente de qualquer assunto religioso que eu já tenha lido. Na cabana, você encontrará a quebra de estereótipos e pensará em Deus de uma forma muito mais perplexa, porém muito mais compreensível que o habitual, forçando-o a pensar: “Se estivesse frente a frente com Deus, o que diria?”.
      Pois é, Mackenzie teve a chance de ficar perante o que mais culpou pela morte da filha, sem saber que ele fora o que mais lhe amara. A Cabana é um livro de reconciliação e sua ferramenta são os paradoxos. Lá, Mack descobriu que a vida não é feita de tristezas pós-óbito e que Deus nunca o deixara.
      Realmente é uma leitura que acerta nosso senso, pois é impossível não se identificar com Mack. Afinal, como o autor mesmo citou:



“[…] A maioria de nós tem suas próprias tristezas, sonhos partidos e corações feridos, cada um viveu perdas únicas, nossa própria ‘cabana’. Oro para que você encontre a mesma graça que eu recebi lá e que a presença constante de Papai, Jesus e Sarayu preencha seu vazio interior com alegria indizível”.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Caçadores de Bruxas - Raphael Draccon

“E um lobo lhe devorou a avó.”




Título: Caçadores de Bruxas

Autor: Raphael Draccon

Série: Dragões de Éter


Editora: Leya

2010







      Passadas de gerações a gerações, as historias dos contos de fadas dos Irmãos Grimm foram difundidas, adaptadas, readaptadas e reescritas. Este é o tema abordado por Raphael Draccon em sua trilogia Dragões de Éter. A história do primeiro volume, Caçadores de Bruxas, vai trazer ao leitor o mundo de Nova Ether, cujo fora criado por semideuses. Mesmo com a abordagem direta e dinâmica do autor, tudo é uma confusão, ao menos a princípio. Como o tema deste primeiro volume trata-se de bruxas, o autor nos remete à histórica Caçada de Bruxas, que há muito tempo atrás, fora liderada pelo atual rei do reino de Arzallum, Primo Branford, supostamente eliminando de vez a ameaça que as bruxas causavam. Devo confessar que me senti intrigado com a figura do tal rei, fato devido ao perfeccionismo em relação ao personagem. Mas, já fazendo um adendo à escrita do autor, preciso dizer também que “paguei com a língua” mais tarde.

“Havia chegado onde estava por sua competência em caçar bruxas e agora sofria pela tormenta de descobrir que o homem tem bruxas próprias dentro de si, muito mais difíceis de serem caçadas, pois não se pode ordenar que as matem por ignorância”.

      Aos olhos do povo tudo segue bem após a grande vitória de Primo sobre a bruxaria. Porém, indícios do retorno destas fadas caídas, começam a surgir aqui e ali, fazendo coisas estranhas acontecerem, sendo este ponto o desenrolar da história.
      Novamente falando da escrita de Draccon,que é inigualável (e apenas quem leu o capítulo trinta e cinco do primeiro ato pode dizer). Draccon foi o primeiro ator que conseguiu fazer com que eu realmente “visualizasse” a cena em questão. Não sei se isso se deve a seu estilo de escrever que mesmo simplório é bem objetivo, e talvez seja exatamente isso seu diferencial. Fico feliz em saber que minha opinião mudou a respeito da escrita brasileira em relação à ficção fantasiosa, já que eu particularmente não levava fé nisto. O autor consegue narrar uma história que pode ser lida tanto para uma criança quanto pra um adulto. Digo isso porque, mesmo com a objetividade e a inocência apresentada diretamente, o que seria ideal para uma criança, há uma quantidade vasta de informações “adultas” nas entrelinhas. Informações estas que me fizeram perceber a atrocidade que seria um lobo devorando uma senhora, um homem-sapo, crianças comendo uma casa feita de doces e até mesmo as bruxas em questão. A reação que eu tive a cada fim de capítulo era a de “como somos capazes de ler isso para crianças?”.
      É interessante ver os contos de fadas mesclados entre si com uma linha de raciocínio linear, pois proporciona um melhor entendimento e uma reflexão mais aprofundada sobre eles. É fato que Draccon fez coisas muito arriscadas em sua versão dos contos, onde o leitor pode estranhar a princípio. É notável também a vasta referência à cultura pop por todo o livro (e isto o autor mesmo relata), mas não pude deixar de notar também uma grande semelhança com As Crônicas de Gelo e Fogo do George R.R. Martin, principalmente em relação a alguns personagens e confesso que isso me decepcionou um pouco.
      O livro tem tudo pra ser uma leitura “cinco estrelas”, mas há certos pontos onde me decepciona e isto é totalmente particular, já que não se trata de alguma falha do autor, mas sim características próprias dos contos de fadas, pois mesmo em um ponto de vista novo, as histórias não deixaram suas essências, onde há sempre um final feliz.

Ou não?

A questão é que o leitor deve estar ciente do que está prestes a ler e é claro, estar ambientado com as clássicas histórias para crianças.

“E era essa saga, a caçada humana mais violenta da história desse e de outros Reinos, envolvendo a primeira guerra entre homens e bruxas, o tema daquele espetáculo teatral apresentado pela rainha Terra naquele dia no Majestade


A histórica Caçada de Bruxas”.


terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Desafio Literário BBC

Eu estava atrás de um desafio para trazer para o blog quando me deparo com o seguinte tópico "BBC afirma que você só tenha lido seis dos cem livros desta lista". Resolvi conferir e acabei constatando que tinha lido sete da lista. Porém, a lista computa séries como um só, de modo que me reduzi a míseros três livros lidos de toda lista. Resolvi então mudar isto, já que, grande parte dos livros do desafio já habitavam minha wishlist.
P.s.: Quem comparar a lista do site do desafio com a do blog verá que há alterações. Tentei ao máximo manter os livros de lá e quando mudei, tentei substituí por clássicos da literatura. As mudanças se devem a dois motivos: não adicionei na lista livros que sei que não lerei, pois acabaria adiando mais e mais, prolongando o término do desafio. Também não estão na minha lista livros que não são mais publicados no Brasil. Poderia tentar uma leitura em inglês, mas como a maioria dos títulos são clássicos e como não estou acostumado com a escrita da maioria dos autores, creio que se tornaria uma leitura cansativa e até incompreensível. 
P.s.²: O desafio é a longo prazo! Não me impus uma meta para o término, já que não possuo a maioria dos títulos e não pretendo me prender apenas à essas leituras. Portanto, é um desafio à perder de vista.

Sem mais delongas, eis a lista:

1- Orgulho e Preconceito - Jane Austen  
2-  O Senhor dos Anéis - J.R.R. Tolkien
3- Jane Eyre - Charlotte Bront 
4- Harry Potter - J.K. Rowling
5- O Sol é para Todos - Harper Lee
6- A Torre Negra - Stephen King
7- O Morro dos Ventos Uivantes - Emily Bronte
8- 1984 - George Orwell
9- Fronteiras do Universo - Philip Pullman
10- Grandes Esperanças - Charles Dickens
11- Mulherzinhas - Louisa May Alcott
12- Tess - Thomas Hardy
13- Ardil 22 - Joseph Heller 
14- Hamlet - William Shakespeare
15- Rebecca - Daphne Du Maurier
16- O Hobbit - J.R.R. Tolkien
17- O Canto dos Pássaros - Sebastian Faulks
18- O Apanhador no Campo do Centeio - J.D Salinger 
19- A Mulher do Viajante no Tempo - Audrey Niffenegger
20- Middlemarch - Mary Anne Evans [pseudônimo de George Eliot]
21- E O Vento Levou - Margaret Mitchell
22- O Grande Gatsby - F. Scott Fitzgerald
23- A Casa Soturna - Charles Dickens
24- Guerra e Paz - Leo Tolstoy
25- O Guia do Mochileiro das Galáxias - Douglas Adams
26- Memórias de Brideshead - Evelyn Waugh
27- Crime e Castigo - Fiódor Dostoiévski
28- As Vinhas da Ira - John Steinbeck
29- Alice no País das Maravilhas - Lewis Carroll
30- O Vento nos Salgueiros - Kenneth Grahame
31- Anna Karenina - Leo Tolstoy
32- David Copperfield - Charles Dickens
33- As Crônicas de Nárnia - C.S. Lewis
34- Emma - Jane Austen
35- Persuasão - Jane Austen
36- O Iluminado - Stephen King
37- O Caçador de Pipas - Khaled Hossein
38- O Badolim do Capitão Corelli - Louis De Berniere
39- Memórias de uma Gueixa - Arthur Golden
40- A Coisa - Stephen King
41- A Revolução dos Bichos - George Orwell
42- O Código da Vinci - Dan Brown
43- Cem Anos de Solidão - Gabriel García Marquez 
44- O Filho de Deus vai à Guerra - John Irving
45- A Mulher de Branco - Wilkie Collins 
46- Anne de Green Gables - L.M. Montgomery
47- O Médico e o Monstro - Dr. Jekyll e Mr. Hyde
48- O Conto da Aia - Margaret Atwood
49- O Senhor das Moscas - William Golding
50- A Volta ao Mundo em 80 Dias - Júlio Verne
51- As Aventuras de Pi - Yann Martel
52- Duna - Frank Herbert
53- Fazenda Maldita - Stella Gibbons
54- Senso e Sensibilidade - Jane Austen
55- Mrs. Dalloway - Virginia Woolf
56- O Cemitério dos Livros Esquecidos - Carlos Ruiz Zafón
57- Um Conto de Duas Cidades - Charles Dickens
58- Admirável Mundo Novo - Aldous Huxley
59- O Estranho Caso do Cão Morto - Mark Haddon
60- Amor no Tempo do Cólera - Gabriel García Marquez
61- Ratos e Homens - John Steinbeck
62- Lolita - Vladimir Nabokov
63- Frankenstein - Mary Shelley
64- Um Olhar do Paraíso - Alice Sebold
65- O Conde de Monte Cristo - Alexandre Dumas
66- O Nome da Rosa - Umberto Eco
67- Judas, o Obscuro - Thomas Hardy
68- Pé na Estrada - Jack Kerouac
69- Os Filhos da Meia-Noite - Salman Rushdie
70- Moby Dick - Herman Melville
71- Oliver Twist - Charles Dickens
72- Drácula - Bram Stoker
73- O Jardim Secreto - Frances Hodgson 
74- Breve História de Quase Tudo - Bill Bryson
75- Ulysses - James Joyce
76- A Redoma de Vidro - Sylvia Plath
77- A Divina Comédia - Dante Alighieri
78- Germinal - Emile Zola
79- A Feira das Vaidades - William Makepeace Thackeray
80- Possessão - A.S. Byatt
81- Um Conto de Natal - Charles Dickens
82- Atlas das Nuvens - David Mitchell
83- A Cor Púrpura - Alice Walker
84- Laranja Mecânica - Anthony Burgess
85- Madame Bovary - Gustave Flaubert
86- Um Delicado Equilíbrio - Rohinton Mistry
87- A Metamorfose - Franz Kafka
88- As Cinco Pessoas que Você Encontra no Céu - Mitch  Albom
89- As Aventuras de Sherlock Holmes - Sir Arthur Conan Doyle
90- Fahrenheit 451 - Ray Bradbury
91- O Coração das Trevas - Joseph Conrad
92- O Pequeno Príncipe - Antoine De Saint Exupery
93- O Retrato de Dorian Grey - Oscar Wilde
94- A Longa Jornada - Richard Adams
95- Uma Confraria de Tolos - John Kennedy Toole
96- O Exorcista - William Peter Blatty
97- Os Três Mosqueteiros - Alexandre Dumas
98- Contos de Imaginação e Mistério - Edgar Allan Poe
99- A Fantástica Fábrica de Chocolate - Roald Dahl
100- Os Miseráveis - Victor Hugo.

Você pode conferir o desafio original no site (em inglês) aqui

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

O Pistoleiro - Stephen King

 “O homem de Preto fugia pelo deserto e o pistoleiro ia atrás”



Título: O Pistoleiro

Autor: Stephen King

Título Original: The Gunslinger

Tradução: Mário Molina

Série: A Torre Negra

Editora: Objetiva (Suma de Letras)

2004




      Muitos reconhecem Stephen King pelos seus clássicos, como O Iluminado, Carrie, O Cemitério e vários outros. Eu, por vez, reconheço King por sua obra sem igual: A Torre Negra. Quando me falaram de Stephen King pela primeira vez, fora para falar de A Torre Negra e na época, mal sabia eu, que estava prestes a adentrar em um mundo totalmente novo, um mundo devastado pela destruição, um mundo que segui adiante...

“Dizemos que o mundo seguiu adiante; talvez estejamos querendo realmente dizer que ele começou a secar”

      E é neste universo destruído que King nos ambienta. O autor nos deixa na mão de Roland de Gilead, um homem ambicioso por seus objetivos, um homem que realmente não se importa com os demais detalhes da história, desde que ele alcance o que procura, um homem louco, um verdadeiro pistoleiro. Mas não veja Roland como um antagonista, afinal, o pistoleiro visa apenas a solução para a devastação de seu mundo. A noção de tempo e espaço já não existe e o eixo para isso tudo, para as respostas do pistoleiro e para a solução de seu problema, é a torre. Por vez, Roland não sabe seu paradeiro e muito menos como chegar a seu destino, porém, ele sabe quem precisa alcançar para conseguir tais informações e é aqui que a trama segue.
      Somos jogados em um mundo devastado, para seguirmos com um desconhecido num deserto mórbido numa caçada a um homem: o homem de preto. Pois conseguindo o homem de preto, conseguimos a torre. Pode parecer egoísta e insensato da parte de Roland, mas somos partes de seu ka-tet (pessoas ligadas a seu destino, ao seu ka)

“Tudo isso fora escrito. Em algum lugar, a mão de alguém depositara tudo no livro do ka”

      A narrativa gera inúmeras dúvidas no leitor, pois a princípio, não temos nenhuma informação sobre o motivo de Roland estar buscando desenfreadamente o homem de preto e a torre. Pouco sabemos também de seu passado, que é revelado vagamente em certas partes da trama. Pouca informação, muitas dúvidas, acostume-se leitor, este é o trunfo da torre. Devo confessar que o fator que mais me impressionou na escrita de King é a maestria que ele possui quando o assunto é ligar um mundo fictício com o mundo real (mais detalhes em A Escolha dos Três). Sim, a serie tem uma conexão, não apenas com o nosso mundo, mas com muitos outros. E sim, não somos os únicos a fazer parte do ka-tet de Roland, pois acabamos por trombar em Jake Chambers, um garoto que fora parar no universo de King apenas pelo fato de ter morrido em Nova York.

“Vá. Há outros mundos além deste.”

      Creio que o fascínio que me contaminou por esta serie, tanto se deve a sua originalidade e criatividade como a história de King em relação à obra. Logo no início do livro, há uma introdução sem igual onde ficamos sabendo que King demorou mais de trinta anos para finalizar o último capítulo da série, ficamos sabendo também que quando ele resolvera parar de escrevê-la, uma Plymouth (como em Christine) que o jogara em uma vala fora o motivo de King voltar a escrever. Stephen recebera cartas perguntando o que Roland encontraria na torre mesmo quando nem ele sabia. E quando alguém cita o nome de Stephen King em minha roda de amigos, e eu como admirador, cito A Torre Negra, as pessoas raramente conhecem, pois estavam ocupadas lendo O Iluminado...


“Tudo no universo rejeita o nada; sugerir um término é o único absurdo que existe”