Confira resenha deste livro aqui
domingo, 8 de novembro de 2015
sexta-feira, 2 de outubro de 2015
A Faca Sutil - Philip Pullman
“Se
existe algo como sombra coloridas, era o que refletia a lâmina da faca sutil.”
Título: A Faca Sutil
Autor: Philip Pullman
Título Original: The Subtle Knife
Tradução: Eliana Sabino
Série: Fronteiras do Universo
Editora: Objetiva
Série: Fronteiras do Universo
Editora: Objetiva
2013
Em A Bússola de Ouro,
somos introduzidos no universo fantástico de Philip Pullman. O autor nos
apresenta à Lyra e Pan, ao aletiômetro, à Sra. Coulter, aos dimons e muito
mais; e desde então, o leitor é preso pela curiosidade acerca dos mistérios do
pó – o que me leva a crer que os leitores mais ansiosos por respostas não
ficarão tão satisfeitos ao lerem A Faca Sutil. Neste segundo volume,
Lyra já não é o centro das atenções. A garota continua sim desempenhando um
papel importante na história, mas desta vez os holofotes estão em William
Parry. Essa mecânica funciona no sentido de retirar a carga presencial de Lyra,
pois em A Bússola de Ouro, a necessidade de tudo ter que acontecer envolvendo a
garota, irrita em certos pontos. Will tem doze anos e vive com a mãe com
problemas mentais, em Oxford. O garoto, que nunca conhecera o pai, percebe que
as alucinações da mãe na verdade são acontecimentos reais, e que corre um
grande perigo. Decidido a buscar tanto resposta quanto segurança, Will sai de
casa e acaba encontrando uma janela para outro mundo. Ele conhece Lyra nessa
cidade fantasmagórica chamada Cittagàzze.
Neste volume, a criatividade de Pullman é
muito bem explorada. Ficamos a par de uma diversidade fictícia enorme. O autor
nos mostra sua habilidade de mesclar o mundo fictício e o mundo real.
“— Oxford? — exclamou ela. — É de onde eu vim!
— Então no seu mundo também existe uma Oxford?
Você não veio do meu mundo.
— Não mesmo — disse ela. — São mundos
diferentes. Mas no meu mundo existe uma Oxford também. Nós dois estamos falando
inglês, não estamos? É óbvio que outras coisas são iguais. Como foi que você
passou? Existe uma ponte, ou o quê?”
E é este o objeto fantástico que permeia neste volume. Essas “janelas” entre mundos, não são feitas sozinhas, mas sim com a Faca Sutil. E, assim como o aletiômetro, a faca precisa de um portador, que por sinal não é ninguém menos que o nosso protagonista.
“— Escuta — disse. — Não me interrompa. Se você é o portador da faca, tem uma missão maior do que pode imaginar. Um menino... Como é que eles deixaram isso acontecer? Bem, já que tem que ser... Vem aí uma guerra, garoto. A maior que já existiu. Já aconteceu uma coisa parecida, e desta vez o lado certo tem que vencer... Durante todos os milhares de anos da história humana, só tivemos mentiras, propaganda, crueldade e hipocrisia. Está na hora de começarmos de novo, mas desta vez da maneira certa...”
Além de toda a aventura que se segue ao longo da trama, Pullman volta novamente à questão do Pó. Não que sejam esclarecidas todas as dúvidas, mas começamos a caminhar para uma possível resposta pra todo esse mistério.
“— Como assim? Preciso saber disso, Carlo — disse a mulher, e Will sentia sua apaixonada impaciência. — Isto está no centro de tudo, essa diferença entre crianças e adultos! É onde está guardado todo o mistério do Pó!”
E não obstante, o autor nos segreda um possível confronto entre a Igreja e a Ciência.
quarta-feira, 30 de setembro de 2015
A Tormenta de Espadas - George R.R. Martin
“Os
deuses fizeram a terra pra todos os homens partilharem. Mas aí os reis chegaram
com suas coroas e espadas de aço e disseram que a terra era toda deles.”
Aviso: Esta resenha revela conteúdo do antecessor deste livro, deixando para o leitor toda a responsabilidade de lê-la.
Título: A Tormenta de Espadas
Autor: George R. R. Martin
Título original: A Storm of Swords
Título original: A Storm of Swords
Tradução: Jorge Candeias
Série: As Crônicas de Gelo e Fogo
Série: As Crônicas de Gelo e Fogo
Editora: LeYa
2011
No fim de A Guerra dos Tronos, Martin dá início, finalmente, à guerra propriamente dita. Lembro-me que o segundo volume, A Fúria dos Reis, não me agradou porque a guerra fora tratada de uma forma política e verbal, de modo a me deixar apreensivo a respeito do terceiro volume.
Para minha felicidade, como o próprio nome sugere, A Tormenta de
Espadas é repleta de batalhas e confrontos. É neste livro que a narrativa
começa a acelerar e a trama toma o rumo crucial da guerra. As decisões feitas
no segundo volume começam a tomar proporções significativas, e conhecemos a
impiedade de Martin.
O enredo se resume a alguns personagens: seguindo viagem com
Brienne, Jaime é liberto por Catelyn Stark, com o intuito de chegar a Porto
Real e trocá-lo pelas filhas. Robb precisa organizar suas estratégias de
guerras e pensar em sua prometida, uma Frey da travessia. Daenerys continua no
Sul, passando por cidades escravagistas reunindo seu exército. Tyrion precisa
lidar com seu pai, a atual mão do rei. Arya continua foragida, enquanto Bran
vai rumo à Muralha encontrar o corvo de três olhos. Jon encontra-se entre os
selvagens que apresentam uma ameaça.
“Nos Sete
Reinos dizia-se que a Muralha marcava o fim do mundo. Isso também é verdade
para eles (selvagens). Tudo dependia do lado em que se estava”
É interessante analisar a construção fictícia do autor. O modo
como as coisas acontecem é surpreendente, pois, mesmo que há uma guerra por
poder em Westeros, Martin nos mostra que a trama vai muito além disso e que há outras
ameaças e conflitos maiores. Selvagens, R’hllor e seus sacerdotes vermelhos,
Daenerys e seus dragões, os Outros...
“— Mas
quando os mortos caminham, muralhas, estacas e espadas não significam nada. Não
se pode lutar com os mortos, Jon Snow. Ninguém sabe disso tão bem quanto eu.”
Em Porto Real, Sansa ainda é mantida cativa, mas ao menos se
livrara de Joffrey. O Rei no Trono de Ferro agora se casará com Margaery
Tyrell. O casamento envolve outras grandes casas, como os Martell e os próprios
Tyrell, e o leitor percebe que mesmo que esses reinos não sejam tão
evidenciados, possuem sim seus poderes.
“E agora o
idiota do meu filho está fazendo o mesmo, só que está montando um leão em vez de um palafrém. Eu preveni-o de
que é fácil montar um leão, mas não é tão fácil assim desmontá-lo.”
Enfim, é uma leitura mais que satisfatória e muito recomendada!
Não me desapontou em nenhum ponto, e acho que merece uma chance de ser lido por
qualquer leitor que preze uma boa narrativa. Leia A Tormenta de Espadas e veja
por você mesmo como George R. R. Martin é cruel... haha.
“—
Mantenha sempre seus inimigos confusos. Se nunca estiverem seguros de quem é ou
do que quer, não podem saber o que é provável que faça em seguida. Às vezes, a
melhor maneira de confundi-los é fazer coisas que não têm nenhum propósito, ou
até que parecem prejudicar você. Lembre-se disso, Sansa, quando começar a jogar
o jogo.”
quinta-feira, 10 de setembro de 2015
Corações de Neve - Raphael Draccon
“Se um ser humano vive da violência, também será essa a única
forma pela qual saberá se comunicar”
Título: Corações de Neve
Autor: Raphael Draccon
Série: Dragões de Éter
Editora: Leya
Editora: Leya
2010
A narrativa do
segundo volume da trilogia Dragões de Éter se inicia imediatamente após o
término do primeiro, e sem dúvida o acontecimento mais marcante da história
deste volume é a coroação de Anísio Branford, que assume o reinado em Arzallum
devido à morte do pai.
“— É possível
morrer através do pranto, sábio tio?
— Não. Mas é
possível através da dor que vem com ele”
O pano de fundo
desta vez, não é o envolvimento com bruxaria, mas sim o Punho de Ferro, um
torneio de pugilismo que reunirá competidores de todos os cantos do mundo.
Junto com o torneio, o autor – além de desenvolver questões políticas e
rivalidades – nos mostra a diversidade cultural e social de seu universo
fictício. Temos um envolvimento das terras orientais, com seus gênios e magias
– realidade distante até mesmo para os próprios personagens – que prometem uma
revolução.
“— Para trazer a
Arzallum a evolução que prometes e para fazê-lo sob os termos de trazê-la até
aqui primeiro do que aos outros, imagino que cobres um preço alto, não, senhor
Rumpelstichen?”
Há também a
aparição de um protestante famoso, cujos ideais são abraçados por grande parte
da população, e que desencadeará um papel importante no enredo.
“— A nossa utopia.
—Sherwood. Você
quer libertar Sherwood!”
Não é segredo que
criar uma história fictícia é tarefa árdua, e arrisco em dizer que recontar uma
história já criada é ainda mais complicado. Sim, é divertido reconhecer as
referências que o autor nos propõe ao longo da narrativa, mas mexer com
histórias que estamos tão familiarizados é arriscado demais.
No volume anterior percebi que o autor pecou em algumas escolhas para o
fluxo que o enredo estava tomando, e neste volume, para minha insatisfação, não
foi diferente. Devo dizer que, em perspectiva com os contos originais, a versão
de Draccon apresenta acontecimentos chocantes e nem um pouco verossímeis. É
verdade que a narrativa contemporânea e flexível facilita a compreensão do
leitor, mas em comparação com outras leituras, ela carece de ritmo.
De fato eu já havia percebido esses aspectos na escrita do autor, mas
isso não me incomodara ao longo da leitura do primeiro volume devido ao enredo
cativante e envolvedor. Por vez, em Corações de Neve – como o nome sugere --, a
narrativa é tomada por um sentimentalismo exagerado e piegas, resultando em
situações que, mesmo para um conto de fada, clichê e previsível. Somado a esses
fatores, há inúmeros diálogos pobres, a criação de algumas personagens não
agrada, os acontecimentos não surpreendem...
“Existem poucas,
bem poucas coisas pelas quais vale a pena viver e morrer. O amor é uma delas”
segunda-feira, 7 de setembro de 2015
sexta-feira, 28 de agosto de 2015
Leitura em Dupla: Parte IV
Essa postagem faz parte do Leitura em Dupla, em parceira com o Leia-me Já!. Confira a parte I aqui, parte II aqui e parte III aqui
Quarta seção de discussão de Tubarão de
Peter Benchley. Capítulos 12 a 14.
Tópicos
discutidos nesse post:
- O Confronto
final
- Final geral
- Finais
individuais: Brody e Ellen
- Finais
individuais: Larry Vaughan
- Finais
individuais: Matt Hooper e Quint
- Conclusão e
considerações finais.
[O CORUJAL NÃO
SE RESPONSABILIZA PELOS SPOILERS AQUI POSTADOS!]
O
CONFRONTO FINAL
LEIA-ME JÁ!: Havíamos
especulado sobre o final, você acreditando na possibilidade de Brody morrer e
eu não. Não considerava essa hipótese por Brody ser o protagonista, e isso não
seria muito comum. O que não consideramos foram as mortes tanto de Hooper
quanto de Quint. Acreditávamos que apenas uma pessoa morreria na caçada, e no
caso de Hooper, a traição de Ellen permaneceria no passado, e foi o que
aconteceu. Creio que a morte de Quint, no entanto, serviu apenas para
dramatizar um pouco a trama.
O CORUJAL: Realmente.
Por mais que nossas apostas de quem sairia vivo daquela caçada, ambos
concordávamos que apenas uma pessoa morreria, e não foi o que aconteceu.
LEIA-ME JÁ!: Gostei muito
das cenas de ação da caçada, a todo momento me vinha a música do filme na
cabeça. Só me incomodou o fato do tubarão sair muitas vezes da água, acho que
isso não é um comportamento natural desse animal. Não pude deixar de lembrar do
começo do livro, quando o autor descreve o ponto de vista tanto da vítima
quanto do tubarão durante o ataque. Nesse último confronto, no entanto, vemos o
ponto de vista apenas de Brody, e isso confirma nossa especulação de que o
autor não está mais preocupado em contar a história a partir do tubarão, e sim
da vida dessas pessoas.
O CORUJAL: Realmente
não há ponto de vista do tubarão em nenhum momento. Um outro ponto que eu
gostaria de ressaltar é que quando o Brody fica sabendo que o Hooper os
acompanhará na caçada, ele fica tão preocupado com o cientista, que acaba
esquecendo o tubarão. Somente quando ele finalmente fica cara à cara com o
tubarão que ele começa a perceber o quão grave é aquela situação. Achei
interessante essa transição, porque em nenhum momento do livro, Brody vê o
tubarão como uma ameaça pra si, o tempo todo ele o considera apenas mais uma
ameaça à população que ele precisa lidar. E quando finalmente ele vê o tubarão
de perto, “cai a ficha” e ele percebe que ele também corre perigo.
“Sua mente estava cheia de imagens de algo como um torpedo se elevando na
escuridão do mar e estraçalhando o corpo de Christine Watkins em pedaços; do
menino na boia sem saber, sem ao menos desconfiar, até de repente ser atacado
por uma criatura de pesadelo; e de pesadelos que sabia que teria, sonhos de
violência e sangue, e uma mulher gritando que ele tinha matado seu filho. (página
229)
LEIA-ME JÁ!: Sim,
conseguimos perceber que ele só percebe o que o tubarão realmente representa
quando se depara com ele. Há outro fator que me incomodou nesse último
confronto, não sei se por intenção do autor ou pela perturbação das
personagens, mas me pareceu que o tubarão possuía algum tipo de inteligência,
como se soubesse o que tinha que ser feito. Não gostei disso porque me soou
mais um terror sobrenatural, o que não é o caso. Durante a caçada as
personagens retratam a cena como se o tubarão tivesse alguma estratégia para
pegá-los, e isso tira o aspecto verossímil que o livro teve até esse ponto.
“Brody lembrou-se daquele sorriso de soslaio a encará-lo de dentro d’água.
Não sei. Disse. Ontem aquele peixe, com certeza, parecia mal, como se ele quisesse ser
mal, como se soubesse o que estava fazendo.
O CORUJAL: Também
reparei nesse ponto e não gostei. Me lembro de uma cena onde Quint está mirando
de frente para o tubarão, pronto para atingi-lo, mas o peixe passa por debaixo
do barco e ataque o outro lado, como se soubesse que estava correndo risco. No
decorrer do livro todo eles dizem que o tubarão é um animal que age por extinto,
que só responde à fome e que ataca tudo que vê pela frente, mas não foi isso
que aconteceu. Mas há também a possibilidade de toda essa “inteligência animal”,
seja proposital. Às vezes o autor quis retratar dessa forma para mostrar que é
uma consequência da tensão das personagens.
LEIA-ME JÁ!: Eu quero
acreditar que o autor fez isso para mostrar como aquelas pessoas estavam
assustadas a ponto de imaginar coisas, e não que realmente aconteceu.
FINAL
GERAL
LEIA-ME JÁ!: O que você
achou do autor ter terminado o livro naquele ponto? Achei curioso a forma como
o livro acaba, já que a cena inicial é uma mulher entrando na água, e a final é
Brody saindo dela. No começo o leitor tem a impressão de que a mulher é o
intruso, de que o mar é domínio do tubarão. Já no final, Brody retorna do
confronto e sai da água, tive a impressão de que ele conquistou aquele
território, já que matou seu antigo “dono”.
O CORUJAL: É o clássico
final em aberto, né? Porque a gente não fica sabendo realmente como acabou.
Acredito que a cidade prosperou e Ellen manteve seu segredo de adultério.
Quanto a esse tipo de final, não tenho nenhum problema, pois acho que nenhum
livro tem realmente um fim, nunca há uma conclusão absoluta, portanto, pra mim
é indiferente. Isso que você disse sobre o domínio marinho, não havia me
ocorrido, mas faz todo o sentido!
LEIA-ME JÁ!: Eu sei que
muitas das ligações que acontecem em um livro, nem é proposital da parte dos
autores, muitas vezes é coincidência, mas não custa nada tentarmos encaixar as
coisas, e eu tenho uma teoria. O bom do final em aberto é que o leitor tem uma
liberdade de pender as coisas para o lado que ele desejar, mas acho que o autor
deixou algumas pistas sobre o que ele espera dessa interpretação.
FINAIS
INDIVUDUAIS: BRODY E ELLEN
O CORUJAL: Por mais que
eu tenha dito que não me surpreenderia se Brody morresse, o final desses dois
foi bem previsível pra mim. Ellen não disse nada da traição e creio que eles
ficaram juntos. Só não contava com a pronunciamento do Meadows, o jornalista,
que publicou uma matéria dando votos heroicos ao nosso protagonista. Chega a
ser cômico o fato de que o tubarão foi a solução para todos os problemas
externos o enredo, pois mesmo com todas as mortes, sem o tubarão nenhum
problema da cidade e da vida de Brody seria resolvido. Isso me leva a refletir
que não podemos atingir o sucesso sem perdas pelo caminho.
LEIA-ME JÁ!: Sim, é
como se o tubarão tivesse aparecido para ajustar as coisas, colocar os pingos
nos “is”. É verdade que o final fica em aberto, mas como eu disse antes, eu
percebi algumas dicas que o autor deixou no decorrer da história. No caso da
traição, por exemplo, quando o prefeito visita a Ellen, fica claro que ela quer
ficar com o Brody, que se arrependeu do que fez e que reconhece o
relacionamento.
“Enquanto
pensava no que Vaughan tinha dito, começou a reconhecer a riqueza de sua vida:
um relacionamento com Brody era mais gratificante que qualquer um que Larry
Vaughan pudesse experimentar; um amálgama de testes menores com pequenos
triunfos que juntos, resultavam em algo semelhante à felicidade. E à medida que
seu reconhecimento crescia, crescia também um certo arrependimento por ter
demorado tanto pra ver o desperdício de tempo e emoção na tentativa de se
apegar ao passado. Subitamente teve medo – medo de ter amadurecido tarde
demais, de que algo pudesse acontecer a Brody antes de ela poder aproveitar
essa consciência. Olhou para o relógio: seis e vinte da tarde. Já era pra ele
estar em casa. Aconteceu algo com ele.
Pensou. Oh, por favor, Senhor, não ele. (página
235)
LEIA-ME JÁ!: Já o
Brody, o momento em que ele desiste de procurar a verdade foi com o tubarão. No
barco, Brody confronta Hooper, que diz que esteve com Daisy Wicker (que na
realidade era lésbica). Entretanto, em um dado momento quando eles voltam da
expedição, Brody pensa em ligar para Daisy para confirmar, mas desiste. Acho
que a morte de Hooper teve o propósito de reatar o relacionamento entre Ellen e
Brody.
“Depois
de atracar o barco, Brody caminhou até o carro. No fim do cais havia uma cabine
telefônica. Ele parou ao lado dela, pronto para pôr em prática sua resolução
anterior de ligar para Daisy Wicker. Mas reprimiu o impulso e foi para o carro.
Pra que? Pensou. Se
houve algo, agora acabou. (página 258)
O CORUJAL: Um confronto
no fim seria mais interessante, mas tudo acabou bem. Interessante analisar que
eles mantêm o relacionamento por meio de outras pessoas, já que Ellen e Brody
só ficaram juntos pela soma de fatores externos.
LEIA-ME JÁ!: Também esperava
um confronto, mas acho que expectamos da maneira errada. Pela narrativa ser do
ponto de vista de Brody, ficamos esperando uma atitude dele, mas na realidade,
era Ellen que estava insatisfeita com o casamento. A vinda do tubarão fez com
que Ellen pudesse experimentar um caso com Hooper, mas aí ela percebeu que não
era isso que ela queria realmente.
FINAIS
INDIVUDUAIS: LARRY VAUGHAN
O CORUJAL: Achei justo
Larry se dar mal por tudo que ele fez pela cidade, mas fico receoso no final,
quando Vaughan diz à Ellen que seus negócios ficaram para os sócios. Fico
pensando se não teria nenhum risco desse suposto sócio exercer algum poder sob
a cidade, e isso seria pior que Larry.
LEIA-ME JÁ!: Sim,
também acho justo o que aconteceu com ele por tudo que ele fez (e pelo que não
fez). Agora essa ideia do sócio tomar conta dos negócios remonta o predador,
acho que deixa a sensação de “Brody matou um tubarão, mas existem outros, um
mar inteiro de tubarões prontos para atacarem”.
O CORUJAL: Isso é legal
porque tira o clichê de que tudo acaba bem.
FINAIS
INDIVUDUAIS: MATT HOOPER E QUINT
LEIA-ME JÁ!: Achei
legal Quint ter sido afogado e não atacado pelo tubarão. O autor se conteve
quanto a isso e dá um toque mais realista à história. Em outras palavras,
mostra que mesmo em um livro sobre um tubarão assassino, morrer em sua mandíbula
não é a única forma de morrer.
O CORUJAL: É
interessante o papel que a morte do Quint desencadeia no enredo, porque através
dela, percebemos a opinião do autor sobre esse tipo de pescador, que não
respeita a vida marinha e a natureza em si.
“É o que parece quando a boca deles fica aberta. Disse
Quint. Não faz parecer mais nada do que
ele é. Ele é só um balde estúpido de lixo.
Como
você pode dizer isso? Disse Hooper. Aquele
peixe é uma beleza. É o tipo de coisa que faz você acreditar em Deus. Te mostra
o que a natureza é capaz de fazer quando faz a sério.
Não
fala merda. Disse Quint. (página 227)
LEIA-ME JÁ!: Acho que a
morte do Quint foi a forma do autor se vingar dele (risos). Já a morte de
Hooper, achei meio tosco a forma como ele insistiu em entrar na gaiola. Depois
de ver o tamanho do peixe e do perigo que ele oferecia, foi estupidez dele mergulhar.
O CORUJAL: Também achei
estranho um especialista como ele se arriscar tanto. Mas em termos de
descrição, nunca vi um capítulo tão agonizante como esse! A parte em que o
tubarão começa a abrir espaço entre a gaiola é muito sufocante.
LEIA-ME JÁ!: Verdade, a
tensão que o autor cria na narrativa é fenomenal! E na parte em que eles estão
caçando, mas o peixe ainda não apareceu, não sei você, mas eu senti que o
tubarão estava por perto. Sem contar a música que consegui “ouvir”, tudo isso
pela forma como o autor conduz a narrativa.
O CORUJAL: Realmente, a
narrativa tem esse ritmo, como se o tubarão estivesse na espreita observando,
pronto para atacar a qualquer momento. Isso é um ponto positivo para o autor,
já que o leitor consegue realmente sentir a tensão, e isso é uma coisa muito
difícil de se fazer.
CONCLUSÃO
E CONSIDERAÇÕES FINAIS
LEIA-ME JÁ!: Acho que
no fim a cidade prosperou, já que o tubarão virou notícia no país, e
consequentemente, uma atração.
O CORUJAL: Analisando o
livro como um todo, gostei bastante! Acho que Peter Benchley tem um modo de
descrever único que funciona com uma tensão que ele vai criando ao longo da
narrativa. Isso é uma coisa que eu nunca tinha visto e que me surpreendeu
muito. Gosto da forme como ele cria o terror psicológico, como você mesmo
disse, não há mortes pra a todo momento. O terror em si está nas entrelinhas, é
algo extremamente sublime.
LEIA-ME JÁ!: Sim! Achei
estranho algumas resenhas que li, onde as pessoas reclamavam que o autor se
demorava demais em descrever as pessoas e não dava muita atenção às mortes. Mas
como você disse, é um terror sublime! Há todo um pano de fundo. E sinceramente,
se fosse apenas um livro onde um tubarão mata pessoas, não haveria a construção
muito bem feita das personagens, e nós, leitores, não nos importaríamos com
elas. Acho que o modo como a obra foi escrita é a melhor possível, a tornou bem
mais humana.
O CORUJAL: Realmente, a
as personagens são muito bem criadas. Uma coisa que gostei muito no autor é que
não há exagero no enredo. Tudo bem que não é comum, mas ele não extrapola como
outros autores. É uma história simples, sem nada absurdo, fatos que realmente
podem acontecer, e mesmo assim impressiona. Achei perfeito!
LEIA-ME JÁ!: Verdade, o
autor não se demora e nem exagera. É simples e certeiro.
sábado, 22 de agosto de 2015
Coração Apaixonado - Chelsea Cain
“— É muito violento. Tem fotos das cenas dos
crimes. — Seu estômago queimou só de pensar em seu filho de oito anos
lendo o que ela lhe fizera. — Descrições detalhadas de tortura
— Um vislumbre do seu mundo."
Autor: Chelsea Cain
Título Original: Sweetheart
Tradução: Angela Pessoa
Série: Beleza Mortal
Editora: Objetiva (Suma de Letras)
2009
Dois meses após os
acontecimentos de Coração Ferido, o nosso detetive Archie Sheridan resolve
entrar de vez em uma abstinência de Gretchen Lowell. Na teoria vemos que Archie
decidira seguir sua vida sem Gretchen, mas percebemos, também, que deixar a
psicopata não é o que o detetive quer.
No decorrer desses dois
meses, os personagens envolvidos no caso do Estrangulador das Escolas seguiram seus
rumos. Susan – que mesmo tendo Archie em seus pensamentos – não tem qualquer
notícias do detetive, e encontra-se no meio de uma matéria envolvendo um furo
político e um possível estupro. Henry e Claire continuam com suas vidas no cotidiano
policial. Archie ainda exerce o ofício de detetive e volta a morar com Debbie e os filhos – mesmo que o espaço
entre os dois seja um grande abismo.
A vida desses personagens
voltam a se cruzar quando Archie e Henry descobrem alguns cadáveres em um
parque, aliás, o mesmo parque em que encontrara o primeiro corpo deixado por
Gretchen, anos atrás. O político que Susan investigava acaba sofrendo um acidente, junto
com um parceiro de trabalho, e é a partir deste ponto que os personagens voltam
a se envolver. Como é inegável o fato de a beleza mortal ser o ápice da
narrativa, você deve estar se perguntando: e Gretchen?! A serial killer ainda é
mantida sob custódia, e só volta a receber a visita de Archie após um incidente
na prisão.
“Aquilo deixou Archie desolado. Não por ela
estar preocupada com a segurança dele, mas por ela acreditar que tinha alguma
chance de salvá-lo. Qualquer que fosse a porra de jofo que ele e Gretchen
jogavam, era entre eles. Gretchen não se importava com Debbie porque sabia que
Debbie não era uma ameaça.”
Em alguns flashbacks a autora nos mostra o passado
pré-Gretchen, pois em Coração Ferido, adentramos na história a partir do
momento em que Gretchen captura Archie, e não antes disto. Portanto, o leitor
descobre alguns acontecimentos de quando a serial killer entra na vida do
detetive.
“— Sabe — disse Gretchen — eu sou capaz de
sentir emoções humanas.”
Coração Apaixonado,
como o nome sugere, explorará o lado sentimental e apaixonado de Archie. Aqui o
leitor conhecerá a obsessão do detetive por Gretchen, e verá que ele não é tão
diferente dela... A relação que se estabelece entre os dois é doentia, e essa
dose-de-absurdo que a autora incrementou é totalmente necessária para não
tornar a narrativa melosa e entediante. Não leia Coração Apaixonado pelo
título, pois a paixão aqui é não é convencional e, em alguns pontos, nem um
pouco crível.
“Às vezes Archie perguntava-se o quanto Debbie
sabia sobre o seu relacionamento com Gretchen. Debbie sabia que Gretchen o
assombrava. Talvez tivesse até mesmo usado a palavra ‘obsessão’. Mas Archie não
achava que Debbie soubesse o quanto ele ultrapassara os limites.”
Sou obrigado a
ressaltar os trunfos da autora; a criação dos personagens e o ritmo de
narrativa de Chelsea Cain é de cair o queixo! Chelsea consegue nos apresentar à
personagens tão humanos, que o leitor se indaga da probabilidade daquilo
acontecer realmente. Também é de se admirar a forma como a autora desencadeia
os acontecimentos, sem soar, em momento algum, amadora.
“E então
ele percebeu que não estava com medo dela.
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